
O político moçambicano Venâncio António Bila Mondlane acusou, em entrevista à CNN Portugal, o Serviço de Inteligência e Segurança de Angola (SINSE) de colaborar com o Serviço de Inteligência e Segurança de Moçambique para intercetar as suas comunicações.
Amplamente reconhecido como o vencedor das recentes eleições moçambicanas, Mondlane, atualmente fora do país, anunciou recentemente o início de uma “fase mais dolorosa” dos protestos, que, segundo ele, terão um impacto considerável na economia de Moçambique, membro da CPLP.
Apesar da crise política pós-eleitoral desencadeada após o anúncio dos resultados pela Comissão Nacional de Eleições, Venâncio Mondlane afirma estar consciente dos riscos à sua segurança pessoal e declara não temer pela vida.
“Tenho a certeza de que o Serviço de Inteligência e Segurança de Moçambique e o Serviço de Inteligência e Segurança de Angola estão a colaborar para monitorizar as minhas comunicações”, afirmou durante a entrevista.
Acrescentou ainda que “estão a procurar apoio internacional para me localizarem, mas o que realmente me preocupa é a situação caótica e a miséria que o povo moçambicano enfrenta há 50 anos.”
Venâncio Mondlane sublinhou que, apesar de estar exposto a uma repressão crescente, não se considera uma figura especial, mas sim um “porta-voz” do povo.
“Sou apenas um veículo para expressar um clamor que está entalado na garganta dos moçambicanos há cinco décadas”, declarou, reiterando que a sua luta visa um Moçambique melhor para todos.
Em relação à possibilidade de um encontro com o seu principal adversário político, Daniel Chapo, Mondlane mostrou abertura para o diálogo. “Em todas as minhas intervenções públicas, deixei claro que estou disposto a dialogar. Inclusive, já apresentei uma lista de propostas que podem ser discutidas na mesa de negociações”, afirmou.
No entanto, lamentou a ausência de resposta por parte do partido de Frei Lo e do próprio Chapo. “Até agora, nem o partido nem o candidato reagiram a estas iniciativas de abertura para o diálogo”, concluiu.
A tensão crescente em Moçambique, combinada com a insatisfação popular e a repressão política, coloca o país num momento decisivo, com potenciais repercussões para a sua estabilidade política e económica.