João Lourenço “assalta” definitivamente o MPLA
João Lourenço "assalta" definitivamente o MPLA
JL serio

O presidente do MPLA, João Manuel Gonçalves Lourenço, deverá anunciar, durante uma reunião do Comité Central agendada para amanhã, segunda-feira, 25 de Novembro, que o próximo candidato à Presidência da República será indicado por ele próprio, de acordo com as novas alterações estatutárias que serão submetidas à aprovação no congresso extraordinário do partido.

A reunião, que tem como objectivo complementar pontos pendentes de um encontro realizado a 9 de Outubro, servirá para Lourenço apresentar o rascunho das modificações ao artigo 120.º dos estatutos do MPLA.

O referido artigo actualmente determina que o presidente do partido é automaticamente o candidato às eleições presidenciais. Com as novas alterações, o Comité Central passará a ser o órgão responsável por designar o candidato a Presidente da República e o vice-Presidente, sob proposta do Bureau Político, liderado pelo próprio João Lourenço.

As alterações também introduzirão mudanças no artigo 119.º, que passará a regulamentar a escolha de candidatos a deputados. Este procedimento seguirá o mesmo modelo de designação centralizada, consolidando a influência de Lourenço sobre o processo decisório interno.

Com estas mudanças, João Lourenço elimina a limitação que o actual artigo 120.º lhe impunha, permitindo-lhe continuar como líder do partido, mesmo sem ser candidato à Presidência da República nas próximas eleições gerais.

Este movimento garante-lhe um papel central na condução do MPLA e reforça o controlo sobre a escolha dos futuros líderes do partido e do país.

Além do congresso extraordinário, previsto para oficializar estas alterações, o MPLA prevê realizar um Congresso Ordinário em 2026, no qual múltiplas candidaturas serão permitidas.

No entanto, analistas apontam que os novos estatutos poderão dificultar as pretensões de candidatos independentes, limitando a democracia interna e reforçando os interesses do actual líder.

Para preparar as alterações estatutárias, João Lourenço confiou a tarefa a dois juristas: Edeltrudes Costa e Marcy Lopes, figuras próximas da liderança do partido. A proposta final será submetida à apreciação do Comité Central e, posteriormente, ao congresso extraordinário para ratificação.

Estas mudanças representam um marco significativo na história do MPLA, com possíveis implicações profundas para a dinâmica interna do partido e para o panorama político de Angola.

Enquanto alguns observadores veem nas alterações uma estratégia de consolidação de poder, outros alertam para o risco de enfraquecimento dos mecanismos democráticos dentro do partido no poder.

com/Club-K

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