
O Governo angolano estimou perdas de 157,4 milhões de dólares relacionadas com a exportação de madeira serrada em 2024, um período em que o país gerou apenas 4,5 milhões de dólares de receitas, segundo dados oficiais divulgados pelo Ministério da Agricultura e Florestas.
Em 2023, a exploração ilegal da madeira em Angola, atingiu níveis negativo na economia nacional. O Estado encaixou 29 milhões de dólares, valor que não reflecte o potencial florestal do país.
Angola exportou cerca de 17.000 metros cúbicos de madeira serrada para mercados na África, Ásia, Europa e América. Contudo, os resultados financeiros ficaram muito aquém do potencial identificado pelo ministério, que apontou para uma capacidade exportável anual de 360.000 metros cúbicos a partir das florestas nativas, o que poderia gerar aproximadamente 162 milhões de dólares, tendo como referência o preço médio de 450 dólares por metro cúbico.
“A operação da madeira está a gerar perdas significativas para o Estado”, refere o documento, que foi apresentado na terça-feira durante a cerimónia de cumprimentos de fim de ano do Ministério da Agricultura e Florestas.
No âmbito da Campanha Florestal de 2024, foram licenciados 146.989 metros cúbicos de madeira em toro, com uma receita de 687,2 milhões de kwanzas obtida a partir da cobrança de taxas de exploração e outros emolumentos.
Paralelamente, o sector público produziu 1,5 milhões de mudas florestais, enquanto o sector privado contribuiu com 3.149.100 mudas, destinadas à cobertura de 4.184 hectares.
Estas iniciativas visam a renovação e expansão das áreas ocupadas pelos polígonos florestais localizados nas províncias de Benguela, Huambo, Bié e Huíla.
Perspectivas para 2025
Para o próximo ano, o Ministério da Agricultura e Florestas propõe-se a melhorar os serviços de fiscalização e a reforçar a actuação da Comissão Multissetorial para a Criação do Serviço Nacional de Guarda Florestal e Faunística.
Além disso, serão continuadas as acções de formação e capacitação de apicultores, como parte dos esforços para fortalecer o setor florestal e maximizar o seu potencial económico e ambiental.
O balanço de 2024 expõe a necessidade de revisão das estratégias para a exploração de recursos florestais, não apenas para minimizar as perdas financeiras, mas também para promover uma gestão sustentável que beneficie o país e a sua biodiversidade.
com/Lusa