
O Governo Sombra da UNITA (GSU) expressou hoje, segunda-feira, 13, em Luanda, a sua profunda preocupação face ao surto de cólera que se regista actualmente em Angola, alertando para o seu rápido avanço e para as suas consequências sociais e sanitárias.
Desde a confirmação oficial do primeiro caso, a 7 de Janeiro deste ano, o surto já causou 15 óbitos, com 170 casos suspeitos e 30 confirmados, concentrados em zonas limítrofes das províncias de Luanda, Icolo e Bengo e Bengo.
O GSU considera alarmante que, a menos de cinco anos do prazo para cumprimento da Agenda 2030 dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), Angola ainda enfrente doenças como a cólera, que são directamente atribuídas a más condições de saneamento e pobreza extrema.
O país, que não registava surtos significativos de cólera desde 2016-2017, parece estar a sofrer uma regressão acentuada na qualidade de vida das suas comunidades, um retrocesso que desafia os compromissos internacionais assumidos.
No comunicado enviado à redacção do Imparcial Press, o GSU lamenta profundamente as perdas humanas e presta solidariedade às famílias afectadas, ao mesmo tempo que apela à população para cumprir rigorosamente as medidas de biossegurança determinadas pelas autoridades sanitárias.
De acordo com o Governo Sombra, a reemergência da cólera reflecte uma inversão das prioridades de investimento na saúde pública.
Embora sejam notórios os esforços para melhorar a rede terciária de saúde, os cuidados primários, essenciais para prevenir surtos como o da cólera, continuam negligenciados.
Adicionalmente, conforme o documento, as regiões afectadas enfrentam uma interrupção no fornecimento de água potável que já dura há mais de três meses, agravando a vulnerabilidade das populações.
O GSU apresentou um conjunto de recomendações ao Executivo angolano, destacando a necessidade de uma reformulação urgente no plano de distribuição de água potável, assegurando que este recurso chegue a todas as localidades, incluindo as mais remotas.
Sublinhou ainda a importância de maiores investimentos no saneamento básico, especialmente em grandes centros urbanos e áreas suburbanas, para evitar futuras crises sanitárias.
O reforço das campanhas de sensibilização junto das comunidades vulneráveis é apontado como uma medida essencial para aumentar o conhecimento sobre o tratamento adequado da água para consumo e, assim, minimizar os riscos de propagação da doença.
O combate à desnutrição também é considerado fundamental, uma vez que a má nutrição torna as populações mais suscetíveis a doenças como a cólera.
O comunicado do GSU reconhece o esforço contínuo dos profissionais de saúde, que, apesar dos riscos inerentes, estão na linha da frente a salvar vidas nas zonas mais afetadas pelo surto. A sua dedicação foi destacada como um exemplo de compromisso com o bem-estar da população.
Ao concluir, o GSU enfatiza que Angola tem recursos naturais e humanos suficientes para erradicar a cólera, sublinhando que é necessária uma mudança de paradigma.
“Um modelo de gestão sanitária mais inclusivo, que promova saneamento básico adequado, segurança alimentar e acesso universal a água potável, é essencial para garantir que surtos desta natureza não voltem a ocorrer”, lê-se.
O surto de cólera expõe fragilidades estruturais do sistema de saúde e coloca em evidência a necessidade urgente de uma abordagem mais eficaz e equitativa na gestão dos recursos públicos, para que Angola avance verdadeiramente no cumprimento dos compromissos globais assumidos.