
Mais de 40 profissionais de saúde envolvidos na campanha de vacinação contra o cancro do colo do útero, realizada nos meses de Outubro e Novembro de 2025 na província da Lunda Sul, denunciam o não pagamento dos subsídios referentes à operação, apesar de o Ministério da Saúde já ter transferido os valores destinados à campanha a nível nacional.
Em declarações ao Imparcial Press, os técnicos afirmam que todas as restantes províncias já terão efectuado os pagamentos aos profissionais mobilizados, situação que não se verifica até ao momento na Lunda Sul.
“Cumprimos com o nosso dever e, passados vários meses, continuamos sem qualquer solução concreta”, refere o grupo, que apela à regularização urgente dos valores em dívida.
Os profissionais relatam que muitos trabalharam em condições difíceis durante a campanha, chegando a utilizar meios próprios para assegurar a vacinação nas comunidades.
Segundo os relatos, alguns técnicos disponibilizaram viaturas pessoais, combustível e recursos financeiros próprios para garantir a execução das actividades no terreno.
A campanha decorreu em duas fases, a primeira com duração de dez dias e a segunda de sete dias, envolvendo equipas móveis e brigadas de vacinação em escolas, unidades sanitárias e comunidades de difícil acesso.
De realçar que Angola lançou oficialmente a campanha nacional de vacinação contra o vírus do papiloma humano (HPV), principal causa do cancro do colo do útero, em Outubro de 2025, numa das maiores operações de saúde pública realizadas no país.
A iniciativa teve como meta vacinar mais de dois milhões de meninas entre os 9 e os 12 anos de idade em todas as 21 províncias angolanas.
A operação foi coordenada pelo Ministério da Saúde, em parceria com organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS), UNICEF, Gavi, the Vaccine Alliance e o Banco Europeu de Investimento.
Segundo dados divulgados pelas autoridades sanitárias, o cancro do colo do útero é uma das principais causas de morte entre mulheres em idade reprodutiva em Angola, com mais de dois mil novos casos registados anualmente.
Os profissionais afectados afirmam esperar uma intervenção urgente das autoridades provinciais e do Ministério da Saúde para resolver a situação, alertando que o atraso compromete a motivação das equipas mobilizadas em futuras campanhas de saúde pública.