Vem aí um novo Trump? — Adebayo Vunge
Vem aí um novo Trump? — Adebayo Vunge
Trump

Donald Trump toma posse, hoje, como o 47.º Presidente dos Estados Unidos da América, depois de ter sido o 45.ºe derrotado nas eleições em que concorreu à sua sucessão, em 2020. Mas, agora o que todos se questionam é como será o segundo mandato intercalado de Donald Trump na Casa Branca.

O homem está absolutamente de volta, ressuscitado politicamente, após ter vencido as eleições de Novembro passado contra Kamala Harris, favorecido por duas tentativas de assassinato mal-explicadas, e triunfando contra tudo e todos os movimentos mediáticos tradicionais, numa altura em que se cogita o facto de estar, agora, eivado de maior poder e influência, como há muito tempo não se vê na América.

Um dos pontos fortes de Trump é o seu apelo ao conservadorismo: dos valores e dos princípios, devolvendo à sociedade americana, e por inerência o mundo ocidental, uma abordagem que valoriza, por exemplo, o papel central das famílias e contra o proselitismo sexual e a actual agenda do género que domina os palcos e os media, não deixando uma estrutura como a Disney de fora, impondo uma agenda subversiva do ponto de vista dos valores.

Sem dúvidas, esse discurso teve um peso grande em determinados círculos do eleitorado americano. Pode ser encarado, pelo menos em alguns círculos muito significativos, como um arrumar da casa.

Mas, Trump é, ao mesmo tempo, ou paradoxalmente, conservador nacionalista e liberal, pelo menos de um ponto de vista económico. Aqui reside um dos pilares da sua campanha que é a pretensão de recuperar a grandeza e a glória americana.

Desse ponto de vista, a agenda de redução drástica do desemprego, como vimos acontecer no seu primeiro mandato, soa a pouco.

Com tantos aliados de peso, o que Biden no seu discurso de despedida apelidou de regresso da oligarquia financeira e tecnológica, Donald Trump promete expandir os limites geográficos dos Estados Unidos da América – ante à passividade e cobardia geral quando comparado ao que pretendia Putin – e os principais alvos estão neste sentido identificados.

Em 2028, saberemos se a Gronelândia, parte do Canadá e do México foram, efectivamente, anexados ou não.

Ao “obrigar” as grandes indústrias e o grande capital “digital” a retornar para os Estados Unidos, há hoje uma grande preocupação sobre o futuro da globalização e do globalismo, ignorando todas as determinantes e impondo uma perspectiva que seja, exclusivamente, favorável ao interesse norte-americano.

Já se sabe que as trocas comerciais com alguns dos principais parceiros merecem uma atenção especial de Donald Trump que, ao longo da sua campanha, sugeriu uma taxa geral de 10 por cento para tudo o que entra nos EUA.

Num cenário desse, os principais visados são o México, Canadá e China, os maiores parceiros comerciais do país, ficando por se ver qual seria a posição da Organização Mundial do Comércio.

Um colunista do New York Times, Ross Douthat, foi bastante irónico quanto ao futuro de Trump. “Então, o facto de Trump ter raspado o fundo e voltado, não garante um final feliz — basta perguntar a Napoleão, após seu retorno triunfante de Elba. Sim, o 45.º e em breve 47.º Presidente resistiu, alcançou e atingiu um pico de poder e comando, mas ele é um velho que retém todas as falhas que desfizeram a sua presidência antes, e ele enfrenta um mundo desestabilizado pelas mesmas forças tectônicas que o carregaram para dentro e para fora e agora ele está de volta ao poder. Ele foi justificado em suas ambições, mas não se converteu à humildade. Ele ainda é a mesma personificação da arrogância americana de antes”.

Esta arrogância é sentida em Elon Musk, JD Vance e toda a fornalha que anda agora à sua volta e tem-no como um salvador dos americanos e do capitalismo que se mostra cada vez mais a causa das desigualdades no mundo.

Não tendo grandes expectativas em relação à política americana para o continente africano, e embora se mostre menos aliado dos europeus, a verdade é que vemos a sua intenção de provocar ou acelerar mudanças de regime no Irão e na China, por razões muito diferentes.

A China, como sabemos, é o grande concorrente em termos económicos e nalguns estudos e estatísticas aparece já a frente dos EUA.

A vida noutros planetas ainda é uma incógnita ou um segredo? Os carros eléctricos e autónomos assumem a liderança do mercado?

Vai Trump aderir às novas energias em detrimento das energias fósseis, com todas as vantagens globais e até económicas para Angola numa opção dessas?

O mundo não se esquece do papel negativo de Trump na gestão global da pandemia, o que de resto ditou também o seu afastamento. O que será do mundo com o avançoo da Inteligência Artificial?

Como diria Jaime Nogueira Pinto, a eleição de Trump, que toma posse hoje, não é o caos, mas para nós, africanos de uma maneira geral e angolanos em particular, levanta o botão amarelo e algumas incógnitas pairam no ar. O tempo dirá!

*Jornalista

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