
O Governo angolano anunciou a intenção de emitir até 2 mil milhões de dólares em Eurobonds este ano, como parte de um esforço para alargar os prazos de vencimento da dívida e reduzir os custos associados.
O anúncio foi feito pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, durante a sua participação no Fórum Económico Mundial, em Davos, Suíça.
Segundo o governante, a emissão de títulos da dívida em moeda estrangeira visa reforçar a sustentabilidade das finanças públicas.
“O Governo vai aos mercados para emitir Eurobonds, não será diferente do que fizemos antes: mil milhões de dólares, podendo ir até 2 mil milhões USD”, afirmou José de Lima Massano, destacando que a prioridade é garantir melhores condições de pagamento e evitar pressões adicionais sobre a dívida pública.
Redução da dívida
O ministro sublinhou que os preços e prazos de vencimento são “críticos” na estratégia de gestão da dívida. A emissão de Eurobonds ocorre num momento em que Angola procura aproveitar a tendência de descida da inflação para obter financiamento em termos mais favoráveis.
Recentemente, o Governo angolano celebrou dois acordos de financiamento com o JPMorgan Chase & Co., no valor de mil milhões de dólares, destinados a financiar o orçamento para 2025, incluindo projectos de infra-estrutura em áreas como abastecimento de água, electricidade e hospitais.
Apesar destes esforços, José de Lima Massano garantiu que Angola está a seguir as orientações do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a gestão de recursos, mas afastou, para já, a possibilidade de um novo programa de financiamento com a instituição.
Novas privatizações
Angola prevê um crescimento económico de cerca de 4% este ano, com destaque para os setores fora do petróleo e o programa de privatizações.
Entre as operações previstas para os próximos meses estão a privatização da UNITEL, uma das maiores operadoras de telecomunicações do país, e a alienação de participações no Banco de Fomento Angola (BFA) e na unidade local do Standard Bank Ltd.
Desde o início do programa de privatizações, em 2019, mais de metade das quase 200 empresas estatais identificadas já foram alienadas. “Decidimos lançar um programa massivo de privatizações de empresas estatais. Está a acontecer”, afirmou o ministro.