Cabinda: Chevron responsabilizada por derrame de petróleo em Malembo
Cabinda: Chevron responsabilizada por derrame de petróleo em Malembo
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A comuna de Malembo, na província de Cabinda, enfrenta uma grave crise ambiental desde o dia 21 de Janeiro, devido a um derrame de petróleo de grandes proporções que tem afectado a costa marítima local.

Entidades locais apontam dedos a empresa multinacional norte-americana Chevron, que assinou em Junho de 2024 dois Contratos de Serviço de Risco (RSC) para o Bloco 49 e o Bloco 50, localizados nas águas ultraprofundas da Bacia do Baixo Congo, e exigem indemnização.

O incidente está a causar sérios danos ambientais, sociais e económicos, com impacto directo nas comunidades que dependem do mar e da pesca para a sua subsistência.

As praias de Malembo, Fútila, Malongo, Chinfuca e Zenga encontram-se cobertas de manchas de petróleo que, segundo especialistas, poderão comprometer de forma irreversível os ecossistemas marinhos e costeiros, caso não sejam tomadas medidas urgentes.

As populações locais, como constatou o Imparcial Press no local, em especial os pescadores, estão impossibilitadas de exercer as suas actividades, agravando a crise económica e social na região.

Num comunicado, o secretariado provincial da UNITA em Cabinda destacou que a população de Malembo está a ser directamente prejudicada, apelando ao Governo Provincial para que responsabilize as empresas exploradoras de petróleo, em particular a Chevron, que opera na região há mais de 70 anos.

A UNITA defende ainda que sejam atribuídas indemnizações justas, não apenas aos pescadores, mas também a toda a comunidade afectada.

A UNITA instou a Chevron a assumir as suas responsabilidades, não só reparando os danos causados, mas também implementando medidas preventivas para evitar a repetição de situações semelhantes.

O comunicado, enviado à redacção do Imparcial Press condena igualmente eventuais tentativas de minimizar o impacto do desastre através de doações simbólicas aos pescadores, sublinhando que a resposta deve ser estrutural e abrangente.

Por sua vez, o ex-secretário provincial do Bloco Democrático, Norberto Malonda, em declarações ao Imparcial Press, lamentou a recorrência de derrames petrolíferos em Cabinda, apontando falhas em oleodutos, navios-petroleiros e plataformas de exploração como possíveis causas.

“Estes acidentes afectam gravemente o meio ambiente e a economia local, prejudicando as famílias que dependem exclusivamente da pesca”, referiu.

As autoridades locais, lideradas pela Comissão Provincial de Protecção Civil, estão a investigar as causas do derrame. Em conferência de imprensa, José Natal, coordenador-adjunto do grupo técnico da comissão, informou que decorrem operações de contenção e limpeza.

No entanto, recomendou às comunidades que evitem pescar ou tomar banho nas praias afectadas enquanto os trabalhos continuam.

De salientar que o último derrame de petróleo registado na costa marítima da província de Cabinda foi, em 2020, e teve como epicentro, na altura, a aldeia de Kifuma, município do Soyo, província do Zaire.

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