
Reconduzida para dirigir os destinos da província do Cunene, neste segundo mandato do Presidente João Lourenço, Gerdina Didalelwa, simplesmente, está a colher amargos entre vários segmentos da população
local.
Por exemplo, no plano da gestão de quadros tem sido fortemente contestada, por apenas nomear para cargos de ‘peso’ nas administrações municipais, elementos da sua tribo ovambos-Kwanhamas.
Para já, de acordo com as fontes deste jornal, um de muitos factos que entristecem o cidadão da região tem que ver com a nomeação de Hilário Sicalepo um reformado, do seu grupo etnolinguístico, para administrador de Ombandja, quando há quadros competentes de outras tribos “sistematicamente ignorados”.
O nosso contacto conta também que Manuel Domingos Taby foi nomeado para administrador do Curoca por ser primo do edil. E, além disso, ‘arregimentou’ a ex-deputada Madalena Ndafuluma “que nem sequer tem formação média para assessora para a área política da governadora. Não tem sequer o ensino médio concluído”.
De resto, prossegue, “feitas as contas, não nomeou nenhum administrador municipal nhaneka, herero, ou ovimbundo, são todos ovambo”.
Desde tropelias na Provedoria de Justiça local, onde interveio para colocar um seu protegido, quando já tinha sido indicado outro quadro pela máxima entidade desse órgão, em Luanda, e a não recondução do acadêmico e professor
doutor Ovídeo Pahula na lista de parlamentares do MPLA, para o mandato em curso, eis o leque de problemas em que a governadora tem uma palavra a dizer.
Pahula, como afirmam os subscritores de uma extensa carta endereçada ao Presidente do MPLA, João Lourenço, em Março último, terá sido mais uma das vítimas da governadora e 1a secretária do partido na província, que “por má-fé, o excluiu da lista para em seu lugar inserir outra pessoa que, desta vez, vai no terceiro mandato, contra todas as expectativas e procedimentos”.
“Não estamos a acreditar que o professor Pahula não consta para o mandato parlamentar 2022-2027. Mas acreditamos que se o MPLA e o Executivo continuarem a apostar nesta mulher, o partido, aqui nestas terras, poderá chumbar nas próximas eleições tanto autárquicas, como legislativas”, sublinham os descontentes, entre os quais, militantes com mais de três décadas de militância no “glorioso”.
Aconselhando que “o líder sabe resolver conflitos, ouve a voz do povo”, Altino Messias, João Ngupita, Manuel Hatewa, antigos militantes do partido dos camaradas no Cunene, lembram que a governadora devia, ao menos, honrar o nome do falecido esposo e seu antecessor no cargo, António Didalelwa, que “foi um homem de bem que deixou boas referências no Cunene”.
“O que estamos a assistir, na condução dos destinos da província do Cunene configura claramente actos de tribalismo e nepotismo”, defendem ainda os militantes que apelam à direcção do partido para a inversão destes fenómenos “negativos” a que “urge combater energicamente”.
Resposta ‘seca’ da governadora
Não foi exaustiva a resposta da governadora Gerdina Didalelwa que, aparentemente, estaria a ser ‘incomodada’ pelo repórter, a partir do seu confortável gabinete na cidade de Ondjiva, a capital do Cunene.
Ante a nossa insistência, Gerdina Didalelwa atendeu de forma muito afável o telefonema, mas acabaria por pouco ou nada avançar, ou seja, não respondeu às acusações. “Não conheço o senhor, por isso, não tenho como lhe ser útil”, despachou-nos assim nesses termos a governadora, mesmo depois de lhe fornecermos todos os detalhes da nossa identidade. “Não conheço com quem estou a falar”, sugerindo que o melhor seria “talvez vir ao Cunene”.
in Pungo a Ndongo