Morreu o saxofonista angolano Nanutu
Morreu o saxofonista angolano Nanutu
Nanutu

O saxofonista angolano António Manuel Fernandes, artisticamente conhecido por Nanutu, morreu esta sexta-feira, em Lisboa, Portugal, aos 68 anos, vítima de doença, deixando um legado marcante na música instrumental angolana e africana.

Considerado um dos maiores embaixadores do saxofone angolano, Nanutu construiu uma carreira de quase cinco décadas, marcada pela fusão entre o Semba, Kilapanga, Jazz, Afrobeat, Kizomba e bossa nova.

Ao longo do seu percurso artístico, colaborou com vários músicos nacionais e internacionais, incluindo artistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) residentes em Portugal, bem como nomes consagrados da música lusófona e latino-americana, como Pablo Milanés, Luís Represas, Martinho da Vila, Simone, Daniela Mercury e Leci Brandão.

Nascido em 1957, no município do Sambizanga, Nanutu iniciou-se na música ainda criança, na Casa dos Rapazes de Luanda, onde começou por tocar bateria antes de adoptar o clarinete aos nove anos de idade. Mais tarde, encontrou no saxofone o instrumento que viria a definir a sua identidade artística.

O músico integrou, na década de 1970, grupos emblemáticos da música angolana, como o “Aliança FAPLA-Povo” e “Os Merengues”, acompanhando algumas das principais vozes da era de ouro do Semba.

Com uma técnica refinada, adquirida através de formação em instituições de ensino musical em Portugal, Cuba e Estados Unidos, Nanutu destacou-se pela capacidade de internacionalizar a música instrumental angolana e aproximá-la da chamada “world music”.

Ao longo da carreira, trabalhou igualmente com artistas de dimensão internacional, entre os quais Sting, Alicia Keys, Cesária Évora e Salif Keita.

Durante cerca de 15 anos, integrou também a banda do cantor português Luís Represas, consolidando a sua presença artística na diáspora africana em Portugal.

A sua discografia inclui trabalhos como “Marés” (1996), “Kizofado” (2000), “Luandei” (2005), “Bisa” (2009), “Ximbika” (2012) e “Gato Viju” (2021), obras que ajudaram a afirmar a música instrumental angolana nos circuitos internacionais.

Com o seu desaparecimento, Angola perde uma das figuras mais respeitadas do jazz africano contemporâneo e um músico que transformou o saxofone numa das vozes mais reconhecíveis da identidade sonora angolana.

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido