
O general Serqueira João Lourenço “Tó” assumiu, nos bastidores, o papel de principal figura operacional da Casa Militar da Presidência da República, apesar da nomeação formal de João Ernesto dos Santos “Liberdade” para o cargo de ministro de Estado e chefe da estrutura de segurança do Presidente angolano, apurou o Imparcial Press.
Segundo informações, desde a exoneração do general reformado Francisco Pereira Furtado, em Abril último, Serqueira Lourenço passou a ser apontado internamente como o “chefe de facto” da Casa Militar, concentrando o controlo operacional e administrativo de vários dossiers estratégicos ligados à segurança presidencial.
Apesar da entrada de João dos Santos “Liberdade” para liderar formalmente a instituição, fontes militares e políticas descrevem o actual titular como uma figura “mais protocolar do que executiva”, numa estrutura onde o general Serqueira continua a exercer forte influência.
O peso de Serqueira Lourenço, irmão de João Lourenço, dentro da Casa Militar não é recente. Em Maio de 2021, o oficial-general foi mandatado para supervisionar e coordenar a Secretaria para o Pessoal e Quadros da Casa Militar do Presidente da República, passando igualmente a assinar expediente corrente ligado à gestão administrativa e funcional da estrutura.
Com 69 anos, Serqueira Lourenço ocupa o cargo de número dois da Casa Militar desde os tempos do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, tendo sobrevivido a várias remodelações internas promovidas já sob liderança do seu irmão.
A sua permanência em funções tem, no entanto, levantado questões no seio das Forças Armadas Angolanas (FAA), uma vez que a legislação militar estabelece que os oficiais generais devem passar obrigatoriamente à reforma aos 65 anos.
A lei admite, contudo, excepções autorizadas pelo Presidente da República, na qualidade de Comandante-em-Chefe das FAA.
No caso concreto de Serqueira Lourenço, fontes consultadas indicam que a sua reforma tem sido sucessivamente adiada por decisão presidencial, permitindo-lhe continuar em funções numa das estruturas mais sensíveis do aparelho do Estado.
De acordo com as informações, João Lourenço pretende manter o general na Casa Militar até 2027, coincidindo com o termo do actual mandato presidencial, numa altura em que o chefe de Estado procura preservar estabilidade e controlo sobre os sectores estratégicos da segurança presidencial e militar.