Executivo gasta mais de 16 biliões de kwanzas na compra de “casas luxuosas” para os juízes do Tribunal Supremo no Condomínio Boavida
Executivo gasta mais de 16 biliões de kwanzas na compra de "casas luxuosas" para os juízes do Tribunal Supremo no Condomínio Boavida
Juizes TS

O Presidente da República, João Lourenço, prevê disponibilizar mais de 16 biliões de kwanzas para a aquisição de residências no Condomínio Boavida para os 19 (segundo o site deste órgão judicial) juízes conselheiros do Tribunal Supremo (TS).

Segundo um artigo divulgado no site Maka Angola, o valor é 13 vezes superior à soma global atribuída, em 2022, aos 164 municípios do país (1,3 mil milhões de kwanzas) para o combate à fome e à pobreza, no âmbito da gestão autónoma local.

O dinheiro para as casas dos juízes é superior a todo o orçamento de 2022 do próprio tribunal, fixado em 12,7 mil milhões de kwanzas.

Segundo a fonte primária, os juízes conselheiros, auferem um salário mensal de 2,1 milhões de kwanzas (equivalente a 4,3 mil dólares) e deveriam ter a possibilidade de aceder a créditos bancários.

Nos últimos meses, vários juízes reclamaram também contra a obrigação, alegadamente instituída pelo governo, de os beneficiários adquirirem as suas residências exclusivamente no Condomínio Boavida, pertencente ao empresário Tomasz Dowbor: “Alguns juízes preferem usar o valor de 550 milhões de kwanzas (1,1 milhões de dólares) atribuídos a cada um para comprarem casas de acordo com as suas escolhas pessoais.”

Desse modo, por Deliberação n.º 05/22 do Plenário do Tribunal Supremo de 23 de Setembro de 2022, os juízes decidiram o seguinte:

“Orientar a comissão encarregue de tratar do assunto relativo a aquisição das residências para os venerandos juízes conselheiros, a fim de providenciar uma visita guiada com todos os juízes conselheiros no Condomínio Boa Vida, e em conjunto encontrarem soluções sobre a viabilidade da aquisição das residências e/ou encontrem alternativas em outros condomínios, com preços equivalentes, devendo para o efeito, promover um encontro com o Director Nacional do Património do Estado do Ministério das Finanças a fim de acompanhar a referida visita.”

A 9 de Setembro de 2022, o empresário Tomasz Dowbor serviu de cicerone, no Condomínio Boavida, a dezenas de magistrados que foram “conferir os detalhes do projecto em um ambiente tranquilo e harmonioso”.

No passado dia 20, o Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) convocou todos os presidentes dos tribunais de Relação e de Comarca a comparecerem, no dia 22, no Condomínio Boavida ou a participarem numa visita virtual por Zoom. Trata-se do processo de aquisição de residências no referido condomínio com financiamento do Banco de Poupança e Crédito (BPC) para os magistrados dos tribunais inferiores.

A decisão do chefe do governo segundo a qual só aos juízes dos tribunais Supremo e Constitucional devem ser oferecidas casas e viaturas de luxo banaliza e corrompe essas instituições. Para muitos juízes, o sonho de chegar ao Supremo prende-se mais com o desejo de obter uma casa gratuita num condomínio, e não com a sua realização ou capacidade profissional.

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