
Desde a transição do mono para o multipartidarismo em 1991, o país tem testemunhado o surgimento de várias forças políticas que refletem a diversidade de ideologias e interesses da nossa sociedade.
O nascimento dessas forças políticas está a ser um elemento fundamental para a consolidação da democracia no país e a promoção da inclusão juvenil no cenário político, promovendo assim maior representatividade e competitividade no cenário eleitoral.
Entretanto, penso que esse fenômeno também traz desafios significativos, como a necessidade de fortalecer as instituições democráticas, garantir a liberdade política e superar barreiras estruturais que limitam a plena participação política.
Bom, a emergência de novos partidos políticos como o Partido Liberal, Cidadania, MNOVA, PNA e entre outros movimentos cívicos… penso que vai contribuir na ampliação do debate democrático, oferecendo alternativas políticas ao eleitorado e desafiando o status quo.
Essa diversidade partidária, a meu ver, pode ser observada na crescente presença de partidos da oposição e na mobilização da sociedade civil em torno de questões como transparência eleitoral, desenvolvimento socioeconómico e direitos humanos.
A presença de novas forças políticas Juvenis como anteriormente mencionado, reduz o monopólio de partidos tradicionais como no caso do glorioso (MPLA) e da UNITA, e fortalece a alternância do poder, tirando a imagem de uma democracia bipartidária para de facto uma democracia multipartidária.
Embora alguns mais novos parece que estão ainda com algumas dificuldades de se adaptarem às exigências millennials – como no caso da extensão da sua comunicação nas redes sociais – vale ressaltar que o desafio torna-se ainda maior, por que um partido de jovens deve entender as estratégias de captação e de conquista do eleitorado, e não deixar de fora a necessidade imperativa do uso das redes sociais para mobilização, no caso concreto do Partido Cidadania que até ao momento só têm ainda um site e quase ninguém ainda teve acesso ao seu manifesto por outras vias.
O partido Liberal começou bem, neste momento a maratona continua com a eleição de novos secretários províncias, mas ainda não se sabe qual o link certo das suas páginas nas redes sociais para se puder acompanhar a jornada e não depender somente do perfil das redes sociais do presidente Luís Castro.
O PNA segue o mesmo ciclo que o Cidadania, mas enfim! Uma outra visão, é que também com mais partidos e movimentos políticos, diferentes grupos sociais encontrarão espaços para expressar suas ideais e necessidades.
Importa também aqui destacar os desafios que novos partidos encontrarão no âmbito da sua nascença:
1 – Consolidação e aceitação popular: Com a sua legalização, o partido Liberal entra para corrida com insuficiências de tempo (por causa do período eleitoral que já se avizinha) e fica com mais necessidade de despesas para divulgação da sua máquina e consolidação a nível da praça política, o que pode levar tempo se não tiver o apoio financeiro de simpatizantes e do empresariado.
Diferente do partido Liberal, o partido C0idadania tem já alguma experiência na prática para puder se adaptar ao contratempo do período eleitoral, por que sabe-se que muitos dos seus militantes ou pelouros são provenientes do partido Humanista.
2 – Discursos objectivos e agendas claras: Penso que um dos grandes desafios também estará na coerência e objectividade na divulgação de agenda e intenções, se os novos partidos conseguirem comunicar de forma coerente, objectiva e a tempo e hora as suas agendas e intenções, há probalidade de serem bem perceptivos e acolhidos pela camada juvenil.
Em suma, o surgimento de novas forças políticas em Angola representa um passo importante na consolidação da democracia, trazendo ganhos significativos como maior representatividade e pluralismo político.
No entanto, desafios como restrições institucionais, dificuldades financeiras e limitações no espaço democrático ainda precisam ser superados para que o país alcance uma democracia mais robusta e inclusiva.
*Académico