O mundo das médias sociais – Carlos Kandanda
O mundo das médias sociais – Carlos Kandanda
carlos kandanda

As médias sociais (redes sociais) são plataformas digitais (TICs) de alta velocidade que veiculam a informação através do sistema de satélites que têm capacidades enormes da recolha de informação e da comunicação em massa de dados digitais através do sistema cibernético.

O sistema cibernético é uma ciência e técnica do funcionamento e do controlo dos comandos eletromagnéticos e das transmissões eletrônicas nas máquinas de celular e nos autómatos modernos. Ou seja, a cibernética é uma ciência interdisciplinar, que envolve sistema de organização, de processamento de informação e de controle.

Em função disso, as médias sociais são empresas informáticas multinacionais que oferecem serviços de informação e telecomunicações aos usuários da internet por via dos computadores ou celulares (tele móveis), processando informações individualmente sem passar por órgãos públicos, censurados politicamente pelo Estado.

A plataforma informática, além de outras operações, viabiliza a comunicação directa entre indivíduos, e a publicação de textos e imagens nas redes sociais para o consumo público.

O sistema informático deu um passo gigantesco com o surgimento das novas tecnologias, sobretudo dos satélites e da inteligência artificial que oferecem um ambiente vasto, célere e eficiente da coleta, do processamento, do armazenamento e da análise de dados – permitindo, deste modo, o acesso fácil às plataformas cibernéticas.

Isso contribuiu imensamente à liberdade de empresa, ao fluxo de informação e ao fácil acesso a um conjunto de informações e de dados informáticos.

Por outro lado, o acesso fácil às plataformas informáticas ou cibernéticas criou um ambiente de vulnerabilidade em termos da manipulação de informação, vulgarmente conhecida por «fake news».

No passado, muito antes do aparecimento das médias sociais o campo de informação e de comunicação era do domínio absoluto do poder político. Que tinha a liberdade plena de censurar, ocultar ou manipular as informações.

Isso permitia a manipulação da opinião pública através dos órgãos de comunicação social controlado pelo poder político, em nome do Estado. Pois, na altura, não existiam outras fontes de alternativas para ter acesso à informação objetiva e credível.

No mundo actual da globalização as plataformas informáticas são numerosas e sustentam as redes sociais. Aliás, as plataformas informáticas são parte integrante da Quarta Revolução Industrial, que funcionam como uma teia de aranha, em interconexão de sistemas e na automação de processos com base em tecnologias digitais, tais como, a inteligência artificial e a automação digital e industrial.

As camadas juvenis, a nível mundial, têm sido os factores principais da transformação das novas tecnologias, como veículos de comunicação.

Aliás, a cibernética é a tecnologia do futuro, cujo domínio requer mentes esclarecidas, frescas e estruturadas, capazes de assimilar os novos conhecimentos científicos e tecnológicos – altamente complexos e sofisticados.

Portanto, as médias sociais são frutos da Nova Ordem Mundial, que dinamizam e impulsionam todos os sectores da actividade humana. O sector político constitui o «epicentro» do desenvolvimento humano e o instrumento principal da transformação do mundo.

Por isso, torna-se absurdo e ridículo quando acusa a UNITA de engajar-se firmemente na Quarta Revolução Industrial, como instrumentos da luta política. Repare que, na luta política, as redes sociais não são apenas essenciais, mas sim, são veículos principais de comunicação entre os eleitores e as forças políticas.

A título de exemplo, nos países democráticos os processos eleitorais têm sido dinamizados pelas plataformas informáticas que veiculam a informação e intervém no sistema da organização, de processamento de dados, no escrutínio e na divulgação dos resultados eleitorais.

Os poderes globais, como a Rússia e a China, têm sido muito ativos nos ataques cibernéticos durante os processos eleitorais nos países ocidentais, com fim de influenciar as opiniões públicas em prol dos candidatos da sua preferência.

Isso acontece frequentemente nos EUA, no Reino Unido, na França e na Alemanha. Em Angola, por exemplo, as eleições têm sido manipuladas sistematicamente pela Multinacional Espanhola – INDRA – que usa o sistema informático do Conselho Nacional Eleitoral para manipular os dados e adulterar os resultados eleitorais.

Logo, as narrativas das «milícias digitais» e da desvalorização sistemática da liderança da UNITA constitui um ataque brutal e cruel contra a personalidade, a credibilidade, a dignidade e a legitimidade política da UNITA. Isso é inaceitável.

Pois, é preciso saber que, a UNITA é o partido histórico que se engajou na luta anticolonial e que enfrentou a guerra fria, a guerra civil e o sistema do partido único, que baniu todas as forças vivas de Angola.

Neste âmbito, a UNITA foi um Estado dentro do Estado, com mais de 75% do território sob sua administração. Neste longo período da luta anticolonial e das guerras acima referidas, a UNITA tinha a Missão Externa (Corpo Diplomático) com embaixadas acreditadas nos países africanos, árabes, europeus e americanos, reconhecidas pelas Naçoes Unidas, pelo Vaticano e pela União Europeia.

A UNITA é que se engajou corpo e alma nos diversos Acordos da Paz e da Reconciliação Nacional. Convinha notar que, a diplomacia da UNITA estava melhor estruturada e organizada, mais dinâmica, eficiente e resiliente do que a diplomacia do regime de Luanda.

Mesmo hoje, a UNITA é o Actor mais dinâmico, coerente e credível na arena internacional do que quaisquer outros partidos políticos angolanos.

Por tanto, a dignidade da UNITA não pode ser posta em causa seja de quem for. Além disso, o potencial da UNITA nos domínios políticos, diplomáticos, culturais, administrativos e informativos não pode ser comparado com os partidos emergentes, que não têm a história, não têm as bases sociais amplas e sólidas e não têm um manancial de quadros políticos e intelectuais convictos, coesos e temperados na luta política, diplomática e militar.

Neste âmbito, seria a ingratidão não reconhecer o papel fundamental da UNITA na busca da paz e do multipartidarismo em Angola, e que, ela continua a pugnar incansavelmente pelo bem-estar do povo angolano e pelo Estado Democrático de Direito.

Gostaria de afirmar que, a política assenta nos símbolos, e os símbolos representam os ideais, a história percorrida e o sangue derramado dos nossos mártires e heróis. Os símbolos são sagrados: é um Farol e é uma Bússola do Partido.

Acho que, na classe intelectual angolana existe uma ingenuidade e uma cultura utópica, que tem dificuldade de reconhecer o panorama histórico do nosso país. Quantos partidos políticos surgiram desde o 25 de Abril de 1974? Quantos desses partidos estão ainda vivos? Quantos foram destruídos pelo sistema do Partido-Estado?

Às vezes, a emoção cria um delírio na mente das pessoas, uma espécie de sonambulismo, que se manifesta no fundo dos sonos, e que desaparece de imediato da nossa memória.

Seja qual for, sabemos que estamos a caminho das eleições de 2027. Como costume o regime sempre inventa partidos políticos para confundir os eleitores e manipular os dados eleitorais.

Neste período, há sempre movimentações no xadrez político angolano em busca de recursos financeiros e de meios rolantes para enfeitar o colorido eleitoral.

Desta vez, parece-me que há uma aposta de apanhar peixes grandes que vão agitarem as águas turvas, afirmando acordos ocultos, com objetivos obscuros.

Mas tudo isso deve ser feito com abertura, com transparência e com dignidade. Nesta luta titânica, como de costume, a UNITA, sob a liderança clarividente, carismática e resiliente do seu Presidente, Adalberto Costa Júnior, já está ciente e pronta em assumir a sua responsabilidade histórica de estar em frente da luta democrática pela mudança. A mexida na constelação de forças não alterará o potencial da UNITA de congregar mais sinergias patrióticas pela mudança.

As forças vacilantes que se alinham com o sistema retrogrado e autoritário, os eleitores angolanos saberão defender melhor os seus interesses e o seu destino diante as urnas de votos, em 2027. O campo de batalha já está aberto e os gladiadores já estão lá dentro da arena.

Em síntese, as redes sociais, como espaços de informação, são fundamentais na luta política. Por isso, os quadros da UNITA têm o dever patriótico de explorar ao máximo o seu potencial estratégico na divulgação ampla dos ideais do partido, e na sua afirmação na arena política angolana, em todas as frentes quer internas quer externas.

Para este efeito, é preciso conhecer bem os meandros das plataformas informáticas no sentido de garantir a eficácia e a resiliência na conquista dos eleitores e na protecção do sistema eletrônico do partido.

As narrativas de «milícias digitais» são cortinas de fumos e são manobras de diversão dos nossos adversários políticos, que buscam desacreditar a UNITA, numa campanha cerrada de propaganda maliciosa, psicológica e de diabolização, com fim de praticar actos de violência gratuita contra os nossos dirigentes, quadros, membros e simpatizantes.

No fundo se trata de uma estratégia antiga que consiste na «implosão» da UNITA como forma de reforçar e consolidar o sistema de partido-estado.

Acontece que, desta vez, essa estratégia subtil de implosão e de diabolização está sendo dinamizada e protagonizada por lobos em peles de cordeiros. Por isso, estejamos atentos com todos aqueles que se fingem de ser nossos aliados enquanto na prática são lobos vorazes e traiçoeiros.

Em Mateus 7:15-23, NVI, diz-se que: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores.

*Antigo Deputado à Assembleia Nacional

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