FMI disposto a conceder novo financiamento a Angola
FMI disposto a conceder novo financiamento a Angola
FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou disponibilidade para conceder um novo financiamento a Angola, face à crescente necessidade de cobertura do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2025.

Contudo, o apoio será consideravelmente mais modesto do que o obtido no programa anterior, cujo montante atingiu 4,5 mil milhões de dólares.

Segundo o Valor Económico, o eventual novo programa de financiamento será condicionado não apenas pelo histórico de empréstimos ao país, mas também por uma avaliação rigorosa da sustentabilidade da dívida e do compromisso com as reformas estruturais exigidas.

“Quando um país já pediu emprestado ao Fundo, isso limita as possibilidades do quanto pode pedir novamente no futuro”, esclareceu uma fonte ligada ao FMI, embora tenha garantido que os juros seriam “extremamente baixos”, abaixo dos 4%.

Apesar da aparente disponibilidade, o Governo angolano ainda não formalizou qualquer pedido. As conversações, até agora, ocorrem de forma informal e paralelamente à execução do actual programa.

Nos bastidores, no entanto, é notória a movimentação das autoridades angolanas com vista a um novo entendimento financeiro com o Fundo.

O último acordo com o FMI, assinado em 2018 sob a presidência de João Lourenço, foi visto como um passo controverso, principalmente devido às suas duras contrapartidas.

Entre as medidas impostas estiveram a redução das subvenções aos combustíveis, água e electricidade, medidas que impactaram fortemente o poder de compra das famílias angolanas, já castigadas por anos de recessão, desemprego e inflação elevada.

É neste contexto que se levanta uma questão fundamental: até que ponto um novo empréstimo resolve os problemas estruturais do país ou apenas os adia?

Sem uma verdadeira reforma económica, transparente e centrada na diversificação produtiva, Angola corre o risco de entrar num ciclo vicioso de endividamento externo, agravando a sua vulnerabilidade económica a médio prazo.

O eventual novo apoio do FMI, embora possa aliviar pressões imediatas sobre o OGE, levanta preocupações sobre o custo social e político das medidas que o acompanharão. E com a dívida pública já em níveis preocupantes, um segundo programa poderá exigir sacrifícios ainda maiores por parte da população.

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