
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) capturou hoje, quinta-feira, o cidadão nacional Gelson Guerreiro Ramos, de 23 anos, o último suspeito e tido como autor material do assassinato do missionário americano Beau Dean Shroyder, em Outubro de 2024.
De acordo com o porta-voz do SIC-Huíla, inspector Segunda Quitumba, Gelson encontrava-se em parte incerta há sensivelmente sete meses, mas foi localizado e detido esta manhã por efectivos do Serviço de Investigação, por volta das cinco horas, na comuna da Huíla, município do Lubango.
Sem avançar detalhes acerca da operação, a fonte sinalizou que o suspeito de autoria do esfaqueamento, no pescoço da vítima, será apresentado a um juiz de garantias ainda esta semana.
Dois dos três suspeitos envolvidos no assassinato do missionário norte-americano, Beau Shroyer, de 44 anos, foram detidos ainda na semana do crime, assim como a esposa da vítima, Jakclyn Shroyer, também de 44 anos, tida como autora moral e que em Fevereiro deste ano foi formalmente acusada pela PGR de co-autoria do crime e está na Comarca do Lubango.
A mulher e o ajudante da residência do casal, que supostamente tinham uma relação amorosa, foram detidos no 4º dia após o crime, na sequência de horas de interrogatório, enquanto um dos autores materiais acabou detido no Cunene, quando se preparava para transpor a fronteira Angola-Namíbia.
O móbil teria sido uma presumível intenção da esposa não querer sair de Angola, quando a missão do marido tinha terminado, dado que teria criado alguns projectos no município da Humpata, onde ocorreu o homicídio.
Na altura o SIC tomou conhecimento da existência de um cadáver do cidadão na localidade de Thienjo, na então comuna da Palanca (hoje município), no pretérito dia 25 de Outubro, com todos os pertences no local, onde estavam binóculos, chapéu e outros, assim como esposa “consternada”.
Terminado o período pericial o SIC despoletou um processo-crime que deu lugar a várias investigações, a começar pelas declarações da esposa encontrada no local e fruto desse trabalho foi identificado do cidadão Bernardino Isaac Elias, de 24 anos e Isalino Musselenga Kayôo “Vin Diesel”, de 23.
O último suspeito é Gelson Ramos, que hoje foi detido. Tratando-se de um condenado a 13 anos de prisão no processo de sequestro e tentativa de homicídio no “Caso Miss Huíla/2018″, mas solto por força do recurso interposto pelo advogado.
Todos suspeitos, com excepção da viúva, têm passagem pela Polícia Nacional por crimes de roubo com recurso à arma de fogo e rapto, segundo Manuel Halaiwa, por isso teriam sido solicitados para executar o cidadão norte-americano.
Execução paga por 50 mil dólares
A Polícia, na altura, revelou que Elias, conhecendo a prática de Isalino, aliciou-o para executar a tarefa a troco de dinheiro, quando já estava salvaguardado um montante total de 50 mil dólares norte-americanos, que começou com uma parcela de 400, para os actos preparatórios e mal consumassem receberiam mais nove mil.
Três dias antes do crime a “mandante”, foi com o cidadão o segurança (Elias) até ao local do crime, para conhecer o local para onde atrairia o marido, sítio inóspito e com fraca frequência de pessoas.
No dia do crime, continuou os suspeitos alugaram uma viatura numa rent-a-car de cor azul, de marca Beijing com uma diária por 52 mil kwanzas e foram até ao local e simularam uma avaria e depois agiram quando a mulher colocou-se mata a dentro, supostamente para urinar.
Com provas, disse, foi apreendida a viatura usada na consumação do acto criminoso, a arma do crime (uma faca dos Estados Unidos que a vítima teria ofertado a Elias) e ainda quatro milhões e 500 mil kwanzas. O casal tem cinco filhos.