
Mais de cinco mil candidatos não admitidos no último concurso público de ingresso ao sector da Educação (2023/2024), por alegada insuficiência de vagas, anunciaram a realização de uma manifestação pacífica para este sábado, 31 de Maio, junto às instalações do Ministério da Educação, em Luanda, e em diversas províncias, com maior expressão em Benguela.
Sob o lema “Enquadramento Imediato Já”, os manifestantes pretendem pressionar a ministra da Educação, Luísa Maria Alves Grilo, a quebrar o silêncio e apresentar uma solução concreta para uma situação que, segundo os organizadores, se arrasta há mais de um ano sem resposta institucional.
Em declarações ao Imparcial Press, Ivo José Ximuto, coordenador nacional dos Candidatos da Educação (CNCE), garantiu que estão criadas as condições para a realização da acção em todo o país, e acusou a ministra de “insensibilidade” perante o défice de mais de 70 mil professores, conforme admitido pelo próprio Executivo.
“Não consigo entender as razões que continuam a justificar o coração endurecido da ministra. Ela própria reconheceu publicamente a falta de mais de 70 mil professores. Então, por que razão tantos candidatos continuam desempregados?”, questionou Ximuto, candidato à disciplina de História.
Apesar das críticas, o coordenador não descarta a via do diálogo, reiterando a disponibilidade do grupo em colaborar com o Ministério da Educação para encontrar uma saída urgente. “A ministra precisa valorizar os quadros que o próprio sistema formou e avaliou. A solução está nas suas mãos”, concluiu.
A redacção do Imparcial Press tentou, sem sucesso, obter um pronunciamento oficial do Ministério da Educação. No entanto, uma fonte da Delegação Provincial de Educação de Luanda indicou que o assunto está sob avaliação, prometendo “tratamento especial e definitivo”.
Recorde-se que o Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA) realizou recentemente manifestações em Luanda e na Huíla, exigindo melhores condições no sector, o enquadramento dos candidatos excluídos e medidas urgentes para reintegrar no sistema de ensino os mais de 11 milhões de crianças actualmente fora das salas de aula.
Por: Ngola Ntuady Kimbanda Nvita