Nepotismo e abusos na Clínica Sagrada Esperança do Soyo
Nepotismo e abusos na Clínica Sagrada Esperança do Soyo
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Funcionários da Clínica Sagrada Esperança (CSE) no Soyo, província do Zaire, denunciaram publicamente práticas de nepotismo, abuso de poder e irregularidades laborais atribuídas à directora-geral, Rosa Muzumbo, e ao director financeiro, Jorge Valente.

As acusações foram formalizadas numa carta enviada ao Imparcial Press, solicitando a intervenção do presidente do Conselho de Gerência da CSE, Rui Pinto.

Segundo os denunciantes, Rosa Muzumbo terá promovido familiares a cargos estratégicos na clínica, comprometendo a meritocracia e a equidade no ambiente de trabalho. Entre os apontados estão:

Henriqueta Fastudo, sobrinha de Rosa Muzumbo, foi nomeada chefe do departamento de recursos humanos, acumulando funções de secretária e gestora de logística.

Paulo Almeida, filho da directora, atua como secretário da clínica; Albertina Muzumbo, irmã, chefia os serviços gerais; e Barros Dias, genro, ocupa o cargo de tesoureiro. Além de Garcia Bab, um estudante de Direito, que exerce funções no gabinete jurídico, o que contraria os estatutos da empresa.

A direcção da clínica instalou câmaras de vigilância em todos os departamentos, com a central de monitorização localizada no gabinete da diretora. Funcionários consideram esta medida uma violação da privacidade, uma vez que a legislação apenas permite vigilância externa para fins de segurança.

Em 2022, a clínica enfrentou críticas por proibir o uso de línguas nacionais nas suas instalações, o que levou a direção a recuar na decisão e pedir desculpas públicas, reconhecendo a importância da diversidade linguística no ambiente de trabalho.

Os trabalhadores de higienização denunciam jornadas de trabalho excessivas, totalizando 30 horas adicionais por semana, com turnos das 7h às 19h e apenas 24 horas de descanso.

Os mesmos queixam-se ainda de salários baixos e discrepâncias no câmbio utilizado para o pagamento em dólares, com a empresa aplicando uma taxa de 20.000 Kz por 100 USD, enquanto cobra aos clientes 82.000 Kz pelo mesmo montante.

Em quatro anos de gestão, a referida direcção acumulou mais de 30 processos disciplinares, alguns dos quais resultaram em ações judiciais.

Os funcionários apelam à intervenção urgente do Conselho de Gerência da CSE e das autoridades competentes para investigar as alegações e garantir a protecção dos direitos laborais.

A Clínica Sagrada Esperança é uma instituição de referência em Angola, com presença em várias províncias e ligada ao grupo Endiama.

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