
O antigo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, tornou-se recentemente doutor ao defender, na Universidade Agostinho Neto (UAN), a sua tese intitulada “Transportes, Logística e o Desenvolvimento Sustentável de Angola (2008‑2017)”.
O estudo avaliou, ao longo de uma década, o impacto estratégico do sector dos transportes na economia nacional, foi aprovado com distinção (17 valores), ocorre anos após a sua condenação no conhecido processo do Conselho Nacional de Carregadores (CNC).
A sessão decorreu sob a presidência do vice-reitor da UAN, João Baptista, e contou com um júri de peso: os professores doutores Armando José Mabiala, Redento Maia, Kianvu Tamu, Capela Tepa e Fausto Simões.
A orientação científica esteve a cargo do professor doutor António Mendonça, que destacou a dedicação e o compromisso académico do candidato.
O júri reconheceu a consistência metodológica e a relevância prática da dissertação, elogiando a harmoniosa integração entre o rigor científico e a experiência governamental de Augusto Tomás.
Segundo um dos examinadores, “a tese reúne ciência, estudo e experiência, e deve ser partilhada como contributo para o futuro do país”.
Durante a apresentação, o autor sublinhou a importância estratégica da construção do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto. “Angola não tem concorrentes diretos na sub-região, incluindo Namíbia, RDC, Zâmbia e Congo-Brazzaville, o que justificou a criação de uma rota com vocação regional”, afirmou.
De salientar que, o percurso de Tomás junto da academia não apagou um passado controverso. Em Agosto de 2019, foi condenado a 14 anos de prisão — posteriormente reduzidos a oito — por crimes como peculato, abuso de poder e violação de normas orçamentais relacionados com o CNC.
Mantido em prisão preventiva desde 21 de Setembro de 2018 e beneficiando de liberdade condicional em Dezembro de 2022, Tomás foi libertado definitivamente em Fevereiro de 2024, cumprindo integralmente o alcance dos sete anos estabelecidos