Higino Carneiro acusa “mão invisível” de reactivar processo na PGR
Higino Carneiro acusa “mão invisível” de reactivar processo na PGR
HC4

O general Higino Carneiro afirmou hoje que existe uma “mão invisível” por detrás da reactivação de um processo judicial relacionado com a aquisição de viaturas durante o período em que governou Luanda, considerando que a medida visa prejudicar a sua candidatura à liderança do MPLA.

Falando à imprensa após ser ouvido na Procuradoria-Geral da República (PGR), Higino Carneiro disse ter sido surpreendido com a notificação relativa ao processo n.º 48/20, que, segundo afirmou, já se encontrava encerrado e arquivado desde 2025.

“Fui confrontado com uma nova realidade. Mas estamos preparados para dar resposta conforme mandam as regras”, declarou o político e general na reforma, acrescentando que vê no caso uma tentativa de condicionamento político.

Em causa está uma alegada fraude na aquisição de 52 viaturas destinadas ao Governo Provincial de Luanda, num processo relacionado com compras efectuadas em 2017, quando exercia funções de governador da capital angolana.

Segundo Higino Carneiro, “há uma mão invisível” por detrás do reaparecimento do processo, numa altura em que decorre a disputa interna no MPLA para a sucessão na liderança do partido.

O advogado do general, José Carlos Miguel, disse igualmente estranhar a reactivação do processo, sublinhando que o caso já havia sido arquivado pelo Tribunal Supremo.

“É muito difícil fazer-se uma análise no âmbito deste processo, visto que o mesmo já foi arquivado pelo Tribunal Supremo”, afirmou o causídico.

Segundo explicou, a própria PGR possui cópia da decisão de arquivamento e existe ainda uma declaração formal do queixoso a desistir da participação inicial, alegadamente por falta de provas.

“Fomos surpreendidos e vamos apreciar o conteúdo da acusação para depois reagir”, acrescentou.

Questionado sobre a normalidade processual da reabertura do caso, José Carlos Miguel respondeu que não considera habitual o procedimento, sobretudo depois da desistência do queixoso.

O processo está ligado à compra de cerca de 100 viaturas a uma empresa privada pertencente ao empresário Rui Carlos Marinho, que alegava existirem 52 automóveis por liquidar. Parte das viaturas terá sido distribuída a responsáveis do MPLA.

Apesar da retirada posterior da queixa pelo empresário, as autoridades decidiram manter o processo em investigação judicial.

A audição de Higino Carneiro acontece numa altura em que cresce, dentro do MPLA, o movimento de apoio à sua candidatura à liderança do partido, cujo congresso ordinário está previsto para Dezembro deste ano.

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