
O Governo angolano propôs o nome da diplomata e antiga ministra Maria de Fátima Jardim para o cargo de Secretária Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), confirmaram esta segunda-feira várias fontes diplomáticas da organização.
A candidatura de Fátima Jardim será formalmente apreciada durante a próxima Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, marcada para 18 de Julho, na Guiné-Bissau. Caso seja aprovada, a diplomata angolana sucederá ao timorense Zacarias da Costa, que termina o seu segundo e último mandato em Julho.
A proposta angolana foi apresentada na semana passada por meio de uma carta enviada pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, aos seus homólogos dos Estados-membros da CPLP.
Licenciada em Biologia pela Universidade de Lisboa, Maria de Fátima Jardim possui uma carreira vasta nas áreas ambiental, científica e diplomática. Representou África como vice-presidente do Conselho da FAO, desde 2021, e desempenhou funções como embaixadora de Angola em Itália até março deste ano.
No plano governativo, foi ministra das Pescas e Ambiente em diversos períodos entre 1992 e 2015, tendo também representado Angola e os Países Menos Desenvolvidos na histórica COP 21, em Paris, que resultou no Acordo sobre o Clima. De 2003 a 2008, foi deputada à Assembleia Nacional.
Com experiência consolidada em ecologia marítima, pesca e mudanças climáticas, Fátima Jardim dirigiu igualmente o Instituto Nacional de Investigação Pesqueira, tanto no Lobito como em Luanda.
Missão à frente da CPLP
O Secretariado Executivo da CPLP é o órgão responsável por implementar as decisões políticas da comunidade, assegurar a execução dos seus programas e coordenar os trabalhos dos órgãos internos da organização.
O cargo é atribuído rotativamente entre os nove Estados-membros, por ordem alfabética, sendo este ano a vez de Angola apresentar o candidato.
Com sede em Lisboa, a CPLP é constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
A confirmar-se a eleição de Maria de Fátima Jardim, Angola voltará a assumir uma posição de destaque na liderança da comunidade lusófona, num momento em que a CPLP procura reforçar o seu papel na diplomacia multilateral e na promoção da língua portuguesa no mundo.