A grande entrevista do Senhor Presidente e o seu claro significado – Marcolino Moco
A grande entrevista do Senhor Presidente e o seu claro significado – Marcolino Moco
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Concordo plenamente com quem terá dito, a propósito, que o Presidente denunciou, sem o querer, que o problema é do sistema e não daqueles que chegam à presidência. Eu mesmo já o aventei aqui, por várias vezes.

A verdade é uma: com um sistema assim, Angola nunca será melhor que a que o sistema colonial nos legou, até 1973/74: aquela que Agostinho desejou a que regressássemos rapidamente, pelo menos no plano das metas económicas.

Um sistema que se reclama democrático, como os mais democráticos da Europa Ocidental e reprime a democracia interna, no seio do próprio partido no poder e prega o ódio à oposição, enquanto esta não se submeter aos ditames inaceitáveis de quem se pretende, este sim, “predestinado” a “mandar” eternamente, não leva a lado nenhum.

Mais valera declarar, corajosamente, na Constituição de 2010, que continuaríamos com o “nosso centralismo democrático”, tolerando a existência de alguns partidos, para não ser tudo igual ao tempo do partido único.

Pior agora, porque as estruturas do partido já não controlam nada. Apenas vigiam, informam, mobilizam e aplaudem até as piores incongruências, não venham seus membros sofrer represálias, nunca se sabendo de onde virão.

A grande questão é que, no seu todo, a sociedade, não parece apontar para este problema sério, o do sistema e como mudá-lo. Todos se concentram na salvação dos “seus partidos (os grandes partidos MPLA e UNITA)”, como se fossem eles as nossas pátrias contrapostas.

Por isso é que, em 2022, me animei muito com um candidato, o Adalberto, que anunciou: eleito PR, cuidaria da reforma do Estado e deixaria o seu partido a ser dirigido por outros correligionários.

Mas, infelizmente, “o sistema” tem tudo bloqueado. É ele que define todos os conceitos, com o Senhor Presidente a determinar, por exemplo, que um poder judicial a quem ele orienta nas “audiências”, de quem muda ou mantém os Presidentes como “o sistema quer”, onde, por exemplo, uma Ordem dos Advogados não pode sonhar em discutir propostas ou projectos de lei decisivas para o sistema político, deve ser respeitado e considerado justo, a todos os títulos, interna e internacionalmente.

Chamam de combate à corrupção, um fenómeno que não refrearam, a um sistema atabalhoado de vinganças selectivas, que parece estar agora a sofrer das respectivas contra-vinganças: porque não temos combustível, em algumas províncias, neste vai e não vai com o julgamento de Kopelipas e Dinos?

Tudo para imitar a justiça ocidental, em vez de usar do pragmatismo do perdão cristão e africano, como temos proposto, e, deixar o país dar de comer a seus filhos famintos, no meio de tanta abundância?

Ontem, um kupapata parou na minha frente, com um cliente: o depósito secara, porque as bombas de gasolina, há dias que andam assediadas de enormes filas. Não ouvi toda entrevista, por isso não sei se o grande Ernesto colocou, ou não, essa e outras questões das misérias escusadas de Angola, ao PR.

Deus salve Angola e liberte seus povos desta forma de fazer política.

*Antigo secretário-geral do MPLA

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