Presidente João Lourenço: Passos para a estabilidade e crescimento — Arsénio Bumba
Presidente João Lourenço: Passos para a estabilidade e crescimento — Arsénio Bumba
Arsénio Bumba

No ano em que Angola celebra os 50 anos da sua Independência, é inevitável reconhecer a importância do momento para reflectirmos não apenas sobre o passado, mas sobre o presente e, sobretudo, o futuro da nossa economia.

As recentes declarações do Presidente da República, João Lourenço, na entrevista concedida à TPA, oferecem uma visão clara, realista e encorajadora do estado da economia nacional sob sua liderança.

Desde 2017, o Presidente João Lourenço iniciou uma agenda reformista corajosa, enfrentando os desafios herdados com pragmatismo e visão.

A sua governação tem sido marcada por medidas estruturais que visam a estabilização macroeconómica, a diversificação da economia e o combate à corrupção — pilares fundamentais para qualquer nação que aspira à modernidade e à sustentabilidade económica.

Durante a entrevista, o Chefe de Estado sublinhou que, apesar de um contexto global adverso e dos constrangimentos históricos internos, Angola apresenta uma taxa de crescimento económico aceitável de 3,5% ao ano, com destaque para um desempenho ainda mais promissor da economia não-petrolífera, que cresce a uma taxa de 4,5%.

Estes dados são mais do que estatísticas: são sinais claros de uma economia que começa a andar com os próprios pés, reduzindo progressivamente a dependência do petróleo.

Outro ponto fundamental destacado pelo Presidente é a redução significativa do rácio da dívida pública, que já esteve acima dos 100% do PIB e hoje se encontra em 63%.

Esta é uma conquista silenciosa, mas de alto impacto, que representa responsabilidade fiscal, maior credibilidade externa e espaço para novos investimentos em sectores essenciais como saúde, educação e infraestruturas.

A estabilidade macroeconómica, mesmo em tempos de inflação elevada, tem sido possível graças ao empenho do Executivo em manter uma disciplina orçamental rigorosa e em implementar políticas monetárias adequadas.

A redução da inflação — ainda em 22%, mas com tendência decrescente — é um dos desafios assumidos pelo Presidente, e cujos resultados podem ser visíveis nos próximos ciclos económicos.

Ao mesmo tempo, o Governo tem sabido investir na reconstrução de infraestruturas e na inclusão económica e social. Estradas, escolas, hospitais, caminhos-de-ferro e outros equipamentos públicos estão a ser reabilitados ou construídos de raiz, criando bases sólidas para o desenvolvimento sustentável do país.

Reconhecer o esforço da governação do Presidente João Lourenço não significa ignorar os desafios que ainda persistem. O desemprego, ainda em 29%, e o elevado custo de vida são realidades que continuam a preocupar os angolanos e que requerem ações conjuntas entre o Estado e o sector privado.

Mas é preciso reconhecer que o Executivo tem consciência plena destes desafios — como aliás sublinhado na entrevista — e está a actuar com seriedade para enfrentá-los.

Neste quadro, aproveito e sugiro algumas áreas prioritárias que, ao merecerem mais atenção estratégica por parte do Executivo, ao meu ver, podem acelerar a consolidação dos ganhos alcançados:

  • Apoio às PME: Incentivar a formalização e o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas é essencial para dinamizar a economia real e gerar mais emprego.

  • Melhoria do ambiente de negócios: Angola precisa continuar a simplificar os processos administrativos, aumentar a transparência e proteger os investidores para atrair mais capital privado.

  • Valorização do capital humano: Um sistema educativo moderno e inclusivo será o alicerce para uma economia baseada no conhecimento e na inovação.

  • Descentralização económica: Estimular o crescimento económico fora de Luanda, com políticas que promovam polos regionais de desenvolvimento.

  • Fortalecimento da justiça económica: Continuar a recuperação de activos desviados e reinvesti-los em sectores produtivos e sociais, como forma de reparar injustiças e redistribuir riqueza.

O Presidente João Lourenço demonstrou, nesta entrevista, a clareza de um estadista que conhece profundamente os desafios do seu tempo e tem a coragem de enfrentá-los com realismo e responsabilidade.

O reconhecimento das conquistas alcançadas, como a estabilidade fiscal e o crescimento da economia real, deve ser acompanhado por um compromisso renovado de todos os sectores da sociedade angolana em contribuir para um futuro mais próspero, justo e inclusivo.

Angola está a trilhar um novo caminho, e a liderança de João Lourenço tem sido, sem dúvida, um elemento determinante para o início de um novo ciclo económico. Celebrar os 50 anos da nossa Independência com crescimento económico, recuperação de activos, paz e estabilidade é, sem dúvida, um legado digno de ser reconhecido.

*Economista

Compartilhar:

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
error: Conteúdo protegido