
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve esta quinta-feira, em Luanda, três cidadãos nacionais, incluindo um alto dirigente da Juventude Revolucionária de Angola (JURA) e um jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA), sob graves acusações que envolvem crimes de associação criminosa, falsificação de documentos, terrorismo e financiamento ao terrorismo.
Entre os detidos está Oliveira Francisco, mais conhecido por Mbuka Tanda, secretário nacional para a Mobilização Urbana da JURA, braço juvenil da UNITA.
A detenção do jornalista Amor Carlos Tomé teria ocorrido nas próprias instalações da TPA, onde o profissional exercia funções há poucos meses. O canal público confirmou a informação durante um dos seus blocos noticiosos.
Antes de ingressar na TPA, Amor Carlos Tomé trabalhou na Rádio UNiA e na Rádio Essencial, sendo descrito por colegas como um repórter dedicado, mas que enfrentava dificuldades financeiras, realidade comum entre profissionais da imprensa em Angola, face aos baixos salários praticados no sector.
A acusação de envolvimento em financiamento ao terrorismo gerou estranheza entre profissionais da comunicação social, que consideram improvável a hipótese de o jornalista dispor de recursos para tal actividade
O Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Direcção Geral do SIC, representado pelo superintendente-chefe Manuel Halaiwa, informou que as detenções são fruto de uma “investigação aturada” em curso, que identificou os três suspeitos como integrantes de uma associação criminosa envolvida na instigação de atos de subversão à ordem pública, alegadamente por meio da manipulação de informações difundidas por plataformas digitais.
Ainda de acordo com o SIC, os suspeitos estariam ligados a acções que se enquadram na tipificação de terrorismo e apoio financeiro a actividades subversivas, acusações que poderão ter desdobramentos significativos na justiça angolana.
Os detidos serão apresentados ao Ministério Público nas próximas horas, para os trâmites legais subsequentes. O SIC adianta que outras diligências continuam em curso, o que poderá resultar em novas detenções ou revelações adicionais sobre o caso.
A detenção de Mbuka Tanda, figura conhecida nos meios juvenis de oposição, levanta preocupações quanto ao alcance e motivação das acusações, com vários sectores da sociedade civil a questionarem a possível instrumentalização judicial para silenciar vozes dissidentes.
Enquanto o processo avança, cresce a expectativa sobre os próximos desenvolvimentos e sobre o impacto que o caso poderá ter no já tenso ambiente político do país.