Afrobasket 2025: Vitória de Angola eclipsada por vaias ao Presidente João Lourenço
Afrobasket 2025: Vitória de Angola eclipsada por vaias ao Presidente João Lourenço
JL afrobask

A conquista do 12.º título continental pela selecção nacional de basquetebol masculino, no domingo, 24, diante do Mali (70-43), no Pavilhão Multiusos do Kilamba, em Luanda, ficou marcada não apenas pelo regresso de Angola ao topo do basquetebol africano, mas também por uma forte manifestação de descontentamento político.

O Presidente da República, João Lourenço, foi alvo de intensas vaias por parte dos mais de 12 mil espectadores presentes na arena, tanto no momento da sua chegada – a oito minutos do final da partida – como durante a cerimónia de entrega de medalhas e do troféu à selecção angolana.

Para abafar os protestos, a organização aumentou o volume da música ambiente, mas os apupos mantiveram-se até à saída do Chefe de Estado da quadra.

Além das vaias, ouviram-se gritos de “Fora! Ninguém te quer!”, num ambiente que contrastou com a celebração da vitória desportiva.

João Lourenço tinha regressado a Luanda poucas horas antes, após uma missão oficial no Japão, onde, na qualidade de presidente da União Africana (UA), co-presidiu à 9ª edição da Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD 9), ao lado do primeiro-ministro nipónico, Shigeru Ishiba.

O episódio, amplamente comentado nas redes sociais e por figuras públicas, foi interpretado como sinal do crescente desgaste da imagem do Presidente junto da população.

O jornalista Graça Campos classificou a vaia como “o melhor momento do jogo”, sublinhando que “a relação do PR com os cidadãos já conheceu melhores dias – dias que já não regressam”.

Já a académica Rosa Kanga considerou que, perante tamanha contestação pública, se estivesse no lugar do Chefe de Estado, colocaria “o cargo à disposição”.

A vitória de Angola, num ano em que o país celebra os 50 anos da Independência Nacional, deveria simbolizar um momento de união e orgulho colectivo. No entanto, os apupos dirigidos ao Presidente revelaram o descontentamento popular face à crise económica, ao desemprego juvenil e à degradação das condições sociais.

No final, enquanto jogadores e adeptos festejavam o regresso do país ao trono africano, ficou exposta a fragilidade da liderança presidencial perante um povo cada vez mais impaciente.

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