Malanje: Técnicos do Hospital Municipal do Quela furtam 300 kg de medicamentos alegando oito meses de salário em atraso
Malanje: Técnicos do Hospital Municipal do Quela furtam 300 kg de medicamentos alegando oito meses de salário em atraso
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A crise financeira e o desespero por sustentar as famílias levaram dois técnicos de saúde afectos ao Hospital Municipal do Quela a enveredar pelo crime.

Foram detidos, esta segunda-feira, 20 de Outubro, pela Polícia Nacional, por furto de mais de 300 quilogramas de medicamentos destinados a dois postos de saúde da municipalidade.

De acordo com o superintendente-chefe Junqueira António, director de Comunicação Institucional e Imprensa da Delegação Provincial do Interior, os fármacos estavam camuflados em dois sacos de 150 quilogramas cada, transportados numa motorizada de três rodas, apreendida no momento da detenção.

Os medicamentos, que deveriam abastecer os postos de saúde dos bairros Mufuma e Banda, foram desviados pelos dois funcionários, em conluio com um motorista contratado para o transporte.

O caso foi detectado numa operação conjunta entre o Comando Municipal da Polícia Nacional e o Departamento de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP).

Sem detalhar os tipos de medicamentos, as autoridades confirmam tratar-se de produtos de uso corrente nos serviços primários de saúde. O desvio configura crimes de peculato e descaminho, pelos quais os autores e o motorista responderão junto do Ministério Público.

O motorista da motorizada alegou desconhecer a origem ilícita da carga, afirmando ter sido apenas contratado por um cidadão, proprietário de uma farmácia em Malanje, para fazer o transporte.

Já os dois técnicos justificaram o furto com oito meses de salários em atraso e “a falta de condições para alimentar as famílias”.

“Foi o desespero. Não temos salário há oito meses. Não tínhamos outra saída”, terá dito um dos detidos durante o interrogatório preliminar.

Este é o terceiro caso de furto de medicamentos registado no Hospital Municipal do Quela em 2025, um sinal de alerta sobre a crescente insatisfação dos profissionais da saúde e o agravamento da crise no sector público.

Fontes locais denunciam que o hospital enfrenta carência de medicamentos, material clínico e meios logísticos, situação que, segundo especialistas, tem aumentado o risco de corrupção e desvio de bens públicos no sistema sanitário provincial.

“A pobreza não pode justificar o crime, mas também não se pode ignorar a negligência do Estado para com os seus funcionários”, comentou um membro da sociedade civil contactado pelo Imparcial Press.

As investigações prosseguem para apurar o envolvimento de outros eventuais cúmplices e o destino final dos medicamentos desviados.

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