
O influenciador digital angolano António Chipema, de 27 anos, conhecido nas redes sociais por “Chipema Piloto”, tem sido responsável, desde 2014, por diversas acções de solidariedade que já beneficiaram mais de mil pessoas em situação de vulnerabilidade social, entre crianças, idosos, pessoas com deficiência e famílias carenciadas, em várias províncias do país.
Em declarações à Angop, o influenciador digital, motoqueiro e comerciante contou que o projecto começou na província do Moxico, onde nasceu, motivado pela vontade de “transformar vidas e oferecer esperança a quem mais precisa”, inspirando-se no exemplo do pai, que sempre ajudou o próximo mesmo em tempos de dificuldades.
O trabalho de Chipema tem abrangido a distribuição de bens alimentares, roupas, material escolar, kits de higiene, cadeiras de rodas e apoio psicossocial, com foco nas comunidades periféricas das províncias do Moxico, Luanda, Huambo, Benguela, Bié e Malanje.
O jovem também tem promovido a reinserção familiar de crianças em situação de rua, financiando bilhetes de passagem e apoios financeiros para o regresso às famílias de origem em diversas províncias do território nacional.
Grande parte das acções são custeadas com recursos próprios, embora o influenciador digital receba também apoios pontuais de associações, igrejas e cidadãos sensibilizados com a causa.
Chipema mantém centenas de vídeos nas redes sociais que documentam as acções desenvolvidas, e defende a necessidade de fortalecer “o amor ao próximo como garantia de equilíbrio emocional e social nas comunidades”.
“Desde os meus oito anos aprendi com o meu pai a ajudar, mesmo quando não tínhamos nada para comer em casa. E a deficiência da minha mãe, há mais de dez anos, deu-me sensibilidade para olhar com mais atenção às pessoas que vivem situações semelhantes”, confidenciou o jovem.
As suas iniciativas incluem a entrega de centenas de cadeiras de rodas, a doação de centenas cestas básicas, compostas por alimentos e produtos de higiene, a atribuição de apoio financeiro a mais de 200 comerciantes informas, vulgo zungueiras, para reforçar ou iniciar pequenos negócios, a reabilitação de casas precárias e a ajuda direta a pessoas doentes com o pagamento de medicamentos e tratamentos médicos.
Os testemunhos dos beneficiários são inúmeros. Augusta José, mãe de três filhos e portadora de deficiência física, contou que recebeu apoio para pagar a renda da casa durante um ano e reforçar o seu negócio.
“Ele apareceu do nada, ouviu a minha história e decidiu ajudar. Fiquei sem palavras, não sabia como agradecer”, relatou emocionada.
Outro caso é o de Zezinho Miguel, jovem com deficiência que necessitava de tratamento fisioterapêutico urgente. Após a divulgação do caso nas redes sociais, foram angariados 2,5 milhões de kwanzas, uma prótese e tratamento completo no hospital provincial do Bié.
“O meu filho vai poder andar e recuperar a autoestima. Deus vai recompensar este rapaz”, afirmou a mãe de Zezinho.
Também António Moisés e Basílio Cassinda, que viveram nas ruas durante cinco anos, receberam roupas novas, dinheiro e bilhetes de passagem para regressar às suas famílias, localizadas nas províncias de Benguela e Bié.
“Voltámos para casa, ajudámos os nossos pais a abrir um pequeno negócio e só temos a agradecer ao senhor Chipema”, disseram.
António Chipema afirmou que pretende expandir o seu projecto de solidariedade para outras províncias nos próximos anos, caso consiga apoios institucionais e logísticos.
“A juventude precisa ser agente activo na promoção da inclusão e da justiça social. Todos podemos ser parte da mudança”, sublinhou.
Com o seu trabalho reconhecido e amplamente partilhado nas redes sociais, o jovem defende que ajudar o próximo é um acto de cidadania e amor.
“Quando ajudamos alguém, também curamos parte de nós. O país precisa de mais solidariedade e menos indiferença”, concluiu.