
A Gala de eleição da Miss Angola Universo 2026, realizada neste domingo, 29 de Novembro, tornou-se um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, muito por causa do momento protagonizado pelas representantes do Uíge e da Huíla, durante a fase de cultura geral.
As duas candidatas tiveram dificuldades em responder às perguntas colocadas pelos apresentadores. Entre o nervosismo e a pressão do público, acabaram por vacilar como se não soubessem o que pretendiam dizer. Faltou-lhes calma, concentração e controlo emocional.
A ansiedade falou mais alto e comprometeu a performance de ambas. Mas será que este deslize é suficiente para avaliar a inteligência das jovens, como tantos insinuam nas redes sociais? Só alguém de má fé ou limitado pensaria assim.
Antes do concurso, as candidatas são preparadas em vários domínios, incluindo cultura geral. Há ensaios e há tempo para treinar perguntas e respostas. Porém, mesmo com preparação, o palco muda tudo.
A luz forte, o barulho, o peso do público e a consciência de que o país inteiro está a assistir tiram o equilíbrio de qualquer pessoa.
Se muitas das que se saíram bem fossem apanhadas de surpresa, provavelmente também vacilariam. Não por falta de inteligência, mas porque o nervosismo é humano e ataca qualquer um.
Recordo os tempos em que o programa Nossa Geração da TPA tinha grande audiência. Levei lá jovens brilhantes, preparados e articulados. Bastou enfrentarem as câmaras para alguns bloquearem.
Não conseguiam intervir, não porque lhes faltasse conhecimento, mas porque a pressão do estúdio era um mundo novo para eles. Situações assim acontecem em várias áreas. Ninguém está imune.
Por isso, é pura ingenuidade concluir que as duas candidatas são menos inteligentes do que as outras apenas por terem falhado numa resposta. Não se confundam factores. Uma coisa é conhecimento, outra é lidar com a exposição pública.
As candidatas são humanas. Têm limites, sentem pressão e podem falhar. Assim, quem mais precisa de orientação, afinal, não são elas. São os críticos que insistem em transformar um momento de fragilidade em sentença definitiva.
Estamos juntos. Um forte abraço!
*Pintor de Letras