
O Medcare Royal Speciality Hospital tornou-se o primeiro hospital do mundo, fora dos Estados Unidos, a administrar uma terapia genética inovadora a um paciente adulto com Atrofia Muscular Espinhal (AME), segundo um comunicado enviado à redacção do Imparcial Press.
O tratamento foi realizado recentemente com o medicamento Itvisma, uma terapia intratecal de dose única, aplicada a um paciente egípcio de 22 anos, diagnosticado ainda na infância e que vivia dependente de cadeira de rodas.
A AME é uma doença genética rara que provoca fraqueza muscular progressiva e perda de mobilidade, afectando funções essenciais como o movimento, a respiração e a deglutição. Até há pouco tempo, as terapias genéticas estavam limitadas sobretudo a crianças com menos de dois anos.
De acordo com o hospital, esta inovação permite agora alargar o acesso ao tratamento a pacientes com mais idade, abrindo novas perspectivas clínicas para adultos afectados pela doença.
A directora executiva do grupo Medcare, Shanila Laiju, destacou que a introdução do Itvisma representa um avanço significativo no tratamento da AME em adultos, sublinhando o potencial de transformar a vida de milhares de pacientes no Médio Oriente e noutras regiões.
“O alargamento do acesso a terapias para adultos pode mudar o curso da doença em muitos casos”, afirmou.
A intervenção foi conduzida por uma equipa multidisciplinar liderada pelos especialistas Vivek Mundada e Sagar Kawale, com apoio de profissionais das áreas de anestesia e cuidados intensivos.
Segundo o médico responsável pela terapia génica, a nova abordagem actua directamente na causa da doença, introduzindo uma cópia funcional do gene SMN1 no organismo do paciente, o que pode travar ou reduzir a progressão da AME.
Após o procedimento, o paciente relatou uma experiência positiva, destacando a ausência de dor e o benefício de não necessitar de múltiplas injecções, como ocorria com tratamentos anteriores.
O Medcare já havia sido pioneiro, em 2025, ao administrar o mesmo medicamento a uma criança de quatro anos, consolidando-se como uma das instituições de referência no tratamento de doenças neuromusculares raras.
Dados citados pela unidade hospitalar indicam que a AME afecta cerca de uma em cada 10 mil pessoas no mundo, sendo considerada uma das principais causas genéticas de mortalidade infantil, agora com novas possibilidades terapêuticas também para adultos.