PADDA-AP abandona CASA-CE devido a crise financeira
PADDA-AP abandona CASA-CE devido a crise financeira
ASA

O Partido de Apoio para a Democracia e Desenvolvimento de Angola – Aliança Patriótica (PADDA-AP) comunicou ao Tribunal Constitucional a sua desvinculação definitiva da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), na sequência de uma deliberação da sua Comissão Política Nacional.

A decisão foi formalizada a 24 de Dezembro de 2025, segundo um documento a que o Imparcial Press teve acesso, assinado pelo presidente do PADDA-AP, Alexandre Sebastião André, que era também vice-presidente da CASA-CE.

No documento, o PADDA-AP, membro fundador da coligação criada em 03 de Abril de 2012, afirma que a decisão foi tomada “por livre e espontânea vontade política”, em representação dos seus militantes.

A saída do PADDA-AP junta-se à do Partido Democrático para o Progresso da Aliança Nacional Angolana (PDP-ANA), que em Abril de 2024 anunciou igualmente a sua retirada da CASA-CE, justificando a decisão com a intenção de integrar uma nova plataforma política denominada “Bloco de Solução”.

A CASA-CE enfrenta uma crise política e financeira desde as eleições gerais de Agosto de 2022, nas quais obteve 47.446 votos (0,76%) e não conseguiu eleger qualquer deputado, o que implicou a perda do financiamento público destinado às formações com representação parlamentar.

Em Maio de 2023, o presidente da coligação, Manuel Fernandes, admitiu publicamente que estava em curso uma reflexão interna sobre a continuidade da CASA-CE, reconhecendo dificuldades de funcionamento, agravadas pela ausência de um grupo parlamentar.

O dirigente afirmou então que a coligação atravessava sérias restrições financeiras, dependendo apenas das quotas dos militantes, e revelou a existência de uma dívida de cerca de quatro milhões de dólares, contraída no âmbito das eleições de 2022, nomeadamente com delegados de lista.

A coligação já teve oito deputados em 2012 e 16 em 2017, sob a liderança de Abel Epalanga Chivukuvuku, mas entrou em declínio após a saída dos seus principais dirigentes.

Em Novembro de 2024, o jornalista Lucas Pedro considerou que a legalização do partido PRA-JA Servir Angola, liderado por Chivukuvuku, em Outubro do mesmo ano, representou “o golpe final” para a CASA-CE, cuja influência política tem vindo a diminuir desde 2019.

Num artigo então publicado (PRA-JA Servir Angola e a morte anunciada da CASA-CE), o jornalista defendeu que a saída de Chivukuvuku fragilizou decisivamente a coligação, que deixou de dispor de liderança e capacidade de mobilização, conduzindo aos fracos resultados eleitorais de 2022.

Segundo Lucas Pedro, a crise financeira e organizativa da CASA-CE poderá levar à saída de outros partidos ainda integrados na coligação, como o Partido Aliança Livre de Maioria Angolana (PALMA), o Partido Pacífico Angolano (PPA) e o Partido Nacional de Salvação de Angola (PNSA), nas próximas semanas.

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