Funcionários do Instituto Geológico de Angola rejeitam explicações da administração sobre “receitas próprias”
Funcionários do Instituto Geológico de Angola rejeitam explicações da administração sobre "receitas próprias"
IGEO1

Funcionários do Instituto Geológico de Angola (IGEO) acusam o Conselho de Administração da instituição de falta de transparência na gestão das chamadas “receitas próprias”, alegando desconhecer a existência e o destino desses recursos, apesar das dificuldades enfrentadas no dia-a-dia laboral.

A denúncia consta de uma carta enviada ao Conselho de Administração, em posse do Imparcial Press, na qual a Comissão Sindical reage à “Nota de Esclarecimento” emitida pela direcção do instituto sobre a greve iniciada no passado dia 2 de Março de 2026.

No documento, a comissão afirma que nunca teve conhecimento efectivo das alegadas receitas próprias mencionadas pela administração, sublinhando que, na prática, os funcionários continuam a enfrentar sérias carências de meios básicos para a realização das suas actividades.

Segundo a comissão sindical, técnicos e funcionários são frequentemente obrigados a recorrer a recursos pessoais para adquirir equipamentos de protecção individual, como luvas e máscaras, indispensáveis para o trabalho em laboratórios, tanto em Luanda como em outras províncias.

“Se de facto existem essas receitas próprias, elas não se reflectem na vida dos trabalhadores”, refere o documento, acrescentando que o instituto enfrenta ainda dificuldades para garantir materiais básicos de escritório, como tinteiros e papel para impressoras, essenciais para o desempenho das tarefas quotidianas.

O representante dos funcionários afirma também que os membros do Conselho de Administração, liderado por José Manuel, não enfrentam as mesmas dificuldades.

De acordo com a carta, o próprio presidente do conselho, José Manuel, não recebe o salário através do instituto, optando por auferi-lo pela Agência Nacional de Recursos Minerais, entidade de onde é proveniente.

A comissão sindical sustenta igualmente que os membros da administração têm os seus subsídios actualizados desde 2018 e nunca registaram atrasos no pagamento, garantidos pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás.

Em contraste, os funcionários alegam que os valores pagos aos quadros da instituição permanecem baixos, salientando que os técnicos superiores recebem cerca de 35 mil kwanzas, técnicos médios 25 mil kwanzas e reformados aproximadamente 15 mil kwanzas.

Face à situação, os funcionários exigem esclarecimentos públicos sobre a origem e o destino das chamadas receitas próprias do instituto, defendendo que esses recursos poderiam, pelo menos, garantir a aquisição de equipamentos básicos de protecção e melhorar as condições de trabalho.

A greve, com duração de 23 dias, iniciada no início deste mês mantém-se como forma de pressão para que a administração preste explicações e apresente soluções concretas para as reivindicações dos trabalhadores.

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