
O presidente do Colégio de Nefrologia da Ordem dos Médicos de Angola, José Malanda, revelou hoje, em Luanda, que mais de cinco mil pessoas realizam actualmente hemodiálise em várias unidades sanitárias de Angola.
A hemodiálise é um procedimento vital utilizado para substituir a função dos rins, permitindo filtrar resíduos, excesso de sal e líquidos do sangue em pacientes que sofrem de insuficiência renal aguda ou crónica.
As declarações do especialista surgem no âmbito das celebrações do Dia Mundial do Rim, assinalado anualmente na segunda quinta-feira do mês de Março.
A efeméride foi criada em 2006 pela International Society of Nephrology e pela International Federation of Kidney Foundations, com o objectivo de sensibilizar a população para os riscos das doenças renais e promover hábitos de vida saudáveis.
Segundo José Malanda, os dados disponíveis podem representar apenas uma parte da realidade nacional, uma vez que muitas pessoas podem sofrer de doenças renais sem diagnóstico ou sem acesso a tratamento adequado.
“Os números avançados podem representar apenas uma pequena parte da realidade, pois muitas pessoas podem ter problemas renais e não tratam”, alertou.
O especialista reconheceu, contudo, que nos últimos anos houve melhorias no acesso ao tratamento, com a criação de novos centros de hemodiálise em várias províncias do país. Anteriormente, grande parte destes serviços estava concentrada em Luanda, obrigando muitos doentes a deslocações longas para receber assistência médica.
Falta de especialistas e diagnóstico tardio
Apesar dos avanços, o diagnóstico das doenças renais em Angola continua a enfrentar desafios significativos. Entre os principais obstáculos estão o número reduzido de especialistas em nefrologia e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde em várias regiões do país.
De acordo com o médico, cerca de 10% da população mundial sofre de algum tipo de doença renal. Aplicando esta estimativa ao contexto angolano, milhares de pessoas poderão apresentar algum grau de comprometimento da função renal sem terem sido diagnosticadas.
Entre as principais causas de insuficiência renal crónica em adultos destacam-se a hipertensão arterial e a diabetes. Quando não controladas, estas doenças podem provocar a deterioração progressiva dos rins.
O especialista referiu ainda outras patologias específicas dos rins, como as glomerulopatias, muitas vezes associadas a causas autoimunes ou genéticas.
Doenças infecciosas também afectam crianças
Nas crianças, algumas doenças infecciosas podem igualmente afectar os rins. A malária, por exemplo, pode provocar em determinados casos insuficiência renal aguda que, sem tratamento adequado, pode evoluir para uma forma crónica.
José Malanda explicou que as doenças renais são frequentemente silenciosas, podendo evoluir durante anos sem sintomas evidentes. Quando os sinais surgem, a doença muitas vezes já se encontra numa fase avançada.
Entre os sintomas que podem surgir nesta fase estão inchaço nos pés ou no corpo, náuseas, vómitos, dores de cabeça persistentes e aumento da frequência urinária durante a noite.
Relativamente ao transplante renal, o médico recordou que Angola possui uma lei sobre transplante de órgãos aprovada em 2014. No entanto, o diploma ainda aguarda regulamentação para permitir a implementação efectiva de programas de transplante no país.
Para reduzir o impacto das doenças renais, José Malanda recomenda a adopção de hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação equilibrada, prática regular de actividade física e controlo da pressão arterial e dos níveis de açúcar no sangue.
O especialista aconselha ainda a realização de consultas médicas periódicas, sobretudo para pessoas com hipertensão, diabetes ou histórico familiar de doença renal.
“Cuidar da saúde é fundamental para prevenir doenças renais. Quem tem factores de risco deve procurar acompanhamento médico regular para evitar que o problema seja diagnosticado apenas em fase avançada”, concluiu.