
A mais recente edição do programa “Caldo do Poeira”, promovido pela Rádio Nacional de Angola (RNA) para homenagear o músico Bernardo Jorge “Bangão”, ficou marcada por fortes críticas à organização, depois de vários participantes denunciarem falta de caldo, escassez de água e insuficiência de mesas, apesar do valor de entrada fixado em 30 mil kwanzas por pessoa.
Realizado no último domingo, 29 de Março, no Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR), em Luanda, o evento foi transmitido em directo pela RNA e serviu de tributo a Bangão, um dos nomes mais emblemáticos do semba angolano, falecido em 2015.
No entanto, o ambiente de celebração acabou ensombrado por relatos de frustração entre os chamados “caldistas”, que acusam a organização de não ter acautelado condições mínimas para receber o público.
Segundo testemunhos, alguns participantes que chegaram por volta das 12h00, num evento previsto entre as 10h00 e as 17h00, já não encontraram caldo disponível, ao mesmo tempo que se registava falta de água e de lugares sentados.
“É inaceitável pagar 30 mil kwanzas para um evento com esta dimensão e faltar até água para beber”, criticou um dos presentes, considerando que a homenagem a uma figura histórica da música popular angolana “merecia outro nível de organização”.
As reclamações reacenderam comparações com as primeiras edições do Caldo do Poeira, quando o programa era realizado no Centro Recreativo Kilamba e, segundo frequentadores antigos, oferecia melhores condições de recepção, alimentação e animação ao público.
Na altura, recordam alguns participantes, a RNA chegou mesmo a incluir ofertas simbólicas, como edições do programa “Disco de Memórias” dedicadas ao artista homenageado, numa fase que muitos classificam hoje como a “época dourada” do projecto.
“Antes, as pessoas pagavam para comer, beber e divertir-se sem sobressaltos. Havia organização, havia respeito pelo público e havia uma mística que hoje parece estar a perder-se”, lamentou um habitual frequentador do evento.
Nascido em 1962, no bairro do Sambizanga, em Luanda, Bangão foi um dos intérpretes mais populares do semba, reconhecido pela voz marcante e por letras que retratavam o quotidiano urbano angolano.