Polícia detém dezenas de suspeitos por garimpo ilegal de ouro na Huíla
Polícia detém dezenas de suspeitos por garimpo ilegal de ouro na Huíla
garimpeiros

Pelo menos 51 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, foram detidos pela Polícia Nacional na província da Huíla por alegado envolvimento na exploração ilícita de ouro, no âmbito da primeira fase da operação “Quebra Molas”, desencadeada no município do Dongo.

Entre os detidos constam 13 cidadãos estrangeiros em situação migratória ilegal, nomeadamente oito da República Democrática do Congo, três mauritanos e dois guineenses de Conacri.

Segundo o chefe do Departamento de Segurança Pública e Operações do Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla, superintendente Eliseu Justo Muhichiqueno, a operação decorreu entre 21 de Abril e 01 de Maio nas localidades de Cahali e Capama, consideradas actualmente os principais focos de garimpo ilegal de ouro na região.

Em conferência de imprensa de balanço da operação, o oficial explicou que a intervenção teve como principal objectivo desactivar as redes de exploração clandestina de minerais estratégicos e impedir o reabastecimento logístico das zonas de garimpo.

“Foi montado um bloqueio ao longo da Estrada Nacional 280, o que permitiu retirar cerca de 90% dos garimpeiros das áreas visadas e impedir a entrada de bebidas, combustível, alimentos e outros meios utilizados para sustentar a actividade ilegal”, afirmou.

De acordo com a Polícia Nacional, os detidos, com idades entre os 35 e os 60 anos, exerciam actividades ligadas à extracção ilegal de ouro, posse ilegal de armas de fogo e utilização de equipamentos de prospecção clandestina.

As autoridades indicaram que, entre os suspeitos, 20 exerciam directamente actividade de garimpo, oito foram encontrados na posse de armas de fogo, seis transportavam ouro e outros seis tinham balanças de alta precisão utilizadas na pesagem do minério.

Durante a operação foram apreendidos cerca de 1,5 quilogramas de ouro, uma pedra banhada do referido mineral, 11 balanças de precisão, 11 milhões e 750 mil kwanzas em numerário e 10 armas de fogo.

As forças policiais apreenderam igualmente quatro máquinas de prospecção, 16 motobombas, nove geradores, 66 quilogramas de cascalho, sete viaturas, 20 motorizadas, além de dezenas de pás, picaretas e rádios de comunicação utilizados nas operações clandestinas.

Segundo o superintendente Eliseu Muhichiqueno, a operação permitiu ainda a destruição de cerca de 800 cabanas e 400 barracas improvisadas, utilizadas como pontos de apoio logístico, venda de bebidas alcoólicas, alimentos e outros produtos destinados aos garimpeiros.

A Polícia Nacional revelou que os alegados líderes das chamadas “placas” – grupos organizados que controlam e financiam o garimpo ilegal – continuam foragidos, estando em curso diligências para a sua localização e detenção.

As autoridades estimam que cerca de 40 mil garimpeiros estivessem concentrados nas zonas de Cahali e Capama antes do início da operação, considerada uma das maiores acções de combate à mineração ilegal realizadas recentemente no sul do país.

A inteligência policial identificou ainda 34 estruturas organizadas ligadas ao controlo da exploração clandestina e cerca de 150 armas de fogo em circulação naquelas áreas, cenário descrito pelas autoridades como de “elevado risco” para a segurança pública.

Apesar da destruição dos acampamentos ilegais, a Polícia Nacional garante que manterá efectivos destacados no terreno, incluindo patrulhamento nocturno, para impedir o regresso dos garimpeiros e evitar a reactivação da actividade ilícita.

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