
Mais de 1.500 trabalhadores da Empresa Fabril de Calçados e Uniformes (EFCU-EP), empresa pública tutelada pelo Ministério da Defesa, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, saíram esta sexta-feira às ruas de Luanda para exigir aumento salarial, melhores condições de trabalho e o pagamento atempado dos salários, numa das maiores manifestações laborais registadas nos últimos anos no sector.
Os funcionários, que se encontram em greve desde o dia 10 deste mês, acusam a administração da empresa de manter uma política de baixos salários e de ignorar problemas laborais que, segundo dizem, colocam diariamente em risco a saúde e a segurança dos trabalhadores.
Entre as principais reivindicações está o aumento do salário-base de 100 mil para 170 mil kwanzas, equivalente a um acréscimo de 70 mil kwanzas, além da melhoria das condições de trabalho e da regularização dos atrasos salariais, que, de acordo com os manifestantes, chegam a ultrapassar três meses.
Os trabalhadores denunciam ainda que muitos desempenham funções em laboratórios e linhas de produção onde lidam diariamente com produtos químicos sem equipamentos de protecção individual adequados.
Segundo os manifestantes, em várias ocasiões são os próprios funcionários que compram, com recursos próprios, luvas, máscaras e outros materiais indispensáveis para garantir a sua segurança durante o exercício das funções.
“Estamos a produzir fardamentos para as Forças Armadas, mas trabalhamos sem as mínimas condições de protecção e sem salários dignos”, lamentou um dos participantes da manifestação.
A marcha, segundo os organizadores, foi previamente comunicada ao Governo Provincial de Luanda, incluindo o trajecto previsto entre o Largo da Mutamba e o Largo da Maianga.
No entanto, os trabalhadores afirmam que a Polícia Nacional impediu o prosseguimento da manifestação, obrigando os participantes a recuar até às imediações do Mercado de São Paulo.
Após a interrupção da marcha, os manifestantes regressaram às instalações da empresa, localizadas na TEXTANG II, no município do Cazenga, onde continuam concentrados à espera de uma resposta da entidade patronal.
A Empresa Fabril de Calçados e Uniformes é responsável pela produção de fardamentos, botas e outros equipamentos destinados, entre outros organismos, às Forças Armadas Angolanas (FAA) e a instituições do Estado, desempenhando um papel estratégico no abastecimento do sector da Defesa.
Nos últimos anos, porém, trabalhadores têm vindo a denunciar dificuldades financeiras da empresa, atrasos salariais e degradação das condições de trabalho, num cenário que contrasta com a importância estratégica da unidade fabril.
Os manifestantes afirmam que a precariedade laboral se tornou insustentável e acusam a administração de não responder às sucessivas reclamações apresentadas pelos funcionários.
Além da revisão salarial, exigem melhores condições de higiene e segurança, fornecimento regular de equipamentos de protecção individual e o cumprimento dos prazos legais para o pagamento dos salários.
Os trabalhadores avisam que, caso as suas reivindicações continuem sem resposta, novas acções de protesto poderão ser convocadas nos próximos meses, agravando a paralisação de uma empresa considerada essencial para o fornecimento de uniformes e equipamentos às instituições de defesa e segurança do país.
com/NJ