
Florbela Malaquias ganhou enorme visibilidade com Heroínas da Dignidade. A primeira tiragem, de 1.500 exemplares, esgotou rapidamente e o livro teve novas edições. Mas vender livros, aparecer nas redes sociais e conquistar visibilidade mediática não significa necessariamente conquistar apoio popular ou força política.
Em 2022, o PHA chegou ao Parlamento, mas, poucos anos depois, a própria liderança de Florbela entrou numa profunda crise interna, com disputas pela direcção, expulsões e decisões contestadas no Tribunal Constitucional. Em 2025, a Comissão Política Nacional chegou a suspendê-la e a destituí-la, embora a disputa tenha continuado nos tribunais.
E é precisamente aqui que o caso Florbela Malaquias merece ser analisado como uma lição para os novos projectos políticos.
O problema não está em ser um partido novo. O problema começa quando um projecto político depende excessivamente da imagem do seu líder, da exposição mediática e de agendas que parecem reagir mais aos movimentos dos outros partidos do que apresentar uma estratégia própria.
Um partido com verdadeira autonomia precisa de ter agenda própria, programa próprio, estrutura própria, militância própria e capacidade de tomar decisões sem estar permanentemente a reagir à UNITA ou ao MPLA.
Há uma diferença enorme entre fazer barulho nas praças, exibir bandeiras, distribuir camisolas, produzir propaganda e ter presença nas redes sociais e conseguir transformar essa visibilidade em votos nas urnas.
A política não se ganha apenas com imagens bonitas, grandes concentrações ou campanhas de comunicação. Ganha-se com organização territorial, estruturas permanentes, militância, credibilidade, capacidade de mobilização e, sobretudo, confiança suficiente para transformar simpatizantes em eleitores.
Por isso, o percurso do PHA deveria servir de alerta para outros partidos novos: não basta criar uma sigla, lançar um líder, ocupar espaço nas redes sociais e esperar que a notoriedade se transforme automaticamente em força eleitoral.
Mais preocupante ainda é quando determinados partidos parecem construir a sua identidade política em função daquilo que a UNITA faz ou deixa de fazer. Se a UNITA dialoga, criticam; se a UNITA não dialoga, criticam; se a UNITA apresenta uma iniciativa de união, atacam a união.
Isso levanta uma questão legítima: Onde está a agenda própria?
Um projecto político verdadeiramente autónomo não deveria viver da reacção permanente aos movimentos dos outros. Deveria apresentar ao povo uma visão própria de Angola, um programa próprio e uma estratégia própria para conquistar o poder.
Aparecer muito não significa necessariamente representar muito. Ter visibilidade não significa ter votos. E fazer barulho nas redes sociais não significa ter força política no terreno.
O verdadeiro teste acontece no dia das eleições, quando desaparecem as câmaras, acabam os comícios e cada cidadão entra sozinho na cabine de voto.
E fica a pergunta para os novos partidos:
Estão realmente a conquistar o eleitorado ou estão apenas a construir uma bolha de propaganda alimentada pela visibilidade dos outros?
Porque, no fim, as praças podem medir entusiasmo, as redes podem medir atenção, mas são as urnas que medem a verdadeira força política.