Pacientes angolanos na África do Sul denunciam condições precárias de alojamento e alimentação
Pacientes angolanos na África do Sul denunciam condições precárias de alojamento e alimentação
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Pacientes angolanos e acompanhantes em tratamento médico na África do Sul denunciam condições que consideram indignas nas residências onde estão alojados, com queixas que vão desde o frio intenso e colchões degradados à alegada falta de alimentação e sobrelotação dos quartos, segundo relatos publicados pelo Na Mira do Crime.

Os denunciantes afirmam que, apesar de reconhecerem o apoio do Estado para garantir o tratamento médico no exterior, a assistência prestada durante a permanência no país estará longe de corresponder às necessidades de pessoas que se encontram fragilizadas por diferentes problemas de saúde.

O frio surge entre as principais preocupações. Segundo os pacientes, os aquecedores disponíveis não são suficientes para enfrentar as baixas temperaturas, levando muitos a permanecerem fechados nos quartos e debaixo das cobertas para suportar o clima.

As condições de repouso também são alvo de críticas. Há relatos de camas consideradas demasiado pequenas para adultos e de colchões com buracos e sinais de deterioração. Em algumas situações, segundo os pacientes, mães ou pais acabam por partilhar camas de dimensões reduzidas com os próprios filhos.

Mais grave é a situação descrita em relação à alimentação. Os pacientes relatam longos períodos entre as refeições, com pequenos-almoços servidos entre as 08h00 e as 10h00 e almoços que, em determinadas ocasiões, só chegam às 16h00 ou 17h00.

Há ainda queixas de falta de pão e de situações em que, quando o almoço é servido mais cedo, o jantar alegadamente deixa de ser disponibilizado.

“Chegamos a passar fome em muitas ocasiões. Quando reclamamos, dizem-nos apenas que esta é a realidade”, relatou um dos pacientes, citado na reportagem.

A falta de condições estende-se aos próprios quartos, que, segundo os denunciantes, podem albergar até sete pessoas. A concentração de vários pacientes num mesmo espaço reduz a área disponível para circulação e para guardar os seus pertences, aumentando o desconforto de quem permanece no local durante longos períodos.

Os pacientes queixam-se ainda da falta de pratos, panelas, talheres, copos e outros utensílios básicos, alegando que muitos acabam por comprar esses materiais com dinheiro próprio. Também apontam a inexistência de transporte para a aquisição de bens de primeira necessidade.

As denúncias são, contudo, rejeitadas por uma responsável ligada à Junta Médica, que, segundo o mesmo relato, considera que as informações divulgadas pelos pacientes “não correspondem à verdade”.

A responsável defendeu que uma eventual equipa de reportagem poderia deslocar-se à África do Sul para verificar presencialmente as condições existentes.

O Conselheiro Económico da Embaixada de Angola em Pretória, António Luís, foi igualmente contactado para esclarecer quem assegura a gestão da residência, se existem reclamações formais e que medidas estão a ser tomadas, mas não havia apresentado qualquer resposta.

Perante as versões contraditórias, os pacientes defendem uma verificação independente das condições das residências e maior acompanhamento das entidades responsáveis, sobretudo por estarem em causa cidadãos enviados ao estrangeiro para receber tratamento médico e que, durante esse período, dependem das estruturas disponibilizadas pelo Estado.

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