
Os técnicos de manutenção de aeronaves da TAAG – Linhas Aéreas de Angola iniciam, a 11 de Outubro, uma greve faseada que se prolongará até Dezembro, enquanto a companhia aérea anunciou a activação de um plano de continuidade operacional para minimizar os efeitos da paralisação na programação dos voos.
Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (STMA), a greve decorrerá em quatro períodos: de 11 a 15 de Outubro, de 6 a 10 de Novembro, de 5 a 10 de Dezembro e de 19 a 23 de Dezembro de 2026.
A paralisação abrange 13 áreas técnicas da companhia, nomeadamente Linha, Metrologia, Eléctrica, Interiores, Inspecção, Pintura, Estruturas, Periódicas, MCC, Planeamento, Ferramentaria, Engenharia e Controlo de Qualidade.
A decisão surge na sequência da falta de entendimento entre a administração da TAAG e o STMA sobre as reivindicações salariais dos trabalhadores. A companhia terá apresentado uma proposta de aumento de 20%, enquanto o sindicato exige uma actualização acumulada de 100% até Dezembro de 2027.
De acordo com a informação disponibilizada, o aviso de greve deu entrada na TAAG e na Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) a 7 de Outubro, sob o registo A-1676.
A paralisação inicialmente prevista para 2 de Setembro foi adiada após cinco reuniões entre as partes, realizadas a 31 de Agosto e a 3, 16 e 25 de Setembro, e a 2 de Outubro, sem que fosse alcançado um acordo.
Num comunicado, a TAAG informou ter activado o plano de continuidade operacional, com o objectivo de preservar a maior parte possível da programação prevista e reduzir os impactos da greve.
A companhia comprometeu-se a comunicar eventuais alterações aos voos com a maior antecedência possível e a contactar directamente os passageiros afectados, através dos dados associados às reservas, para os informar sobre as opções disponíveis.
A transportadora assegurou igualmente que a realização dos voos dependerá do cumprimento integral dos requisitos técnicos, operacionais e de segurança aplicáveis, considerando a segurança dos passageiros, das tripulações e das aeronaves uma prioridade.
O plano anunciado levanta, contudo, questões sobre a disponibilidade de técnicos licenciados para assegurar a manutenção e autorizar a operação das aeronaves durante os períodos de greve. A informação fornecida não esclarece como a companhia pretende garantir os recursos técnicos necessários nem identifica os profissionais que assegurarão esses serviços.
As normas técnicas de aeronavegabilidade estabelecem requisitos relativos à disponibilidade de pessoal qualificado e à certificação técnica necessária para a libertação das aeronaves para voo.
A eventual contratação de técnicos estrangeiros estará igualmente sujeita aos requisitos legais de trabalho em Angola e à validação das respectivas licenças pela autoridade aeronáutica.
A ANAC ainda não se pronunciou sobre a conformidade do plano de continuidade operacional anunciado pela TAAG com as exigências regulamentares aplicáveis.
A evolução das negociações entre a companhia e o sindicato, bem como os esclarecimentos da entidade reguladora, serão determinantes para perceber os efeitos da paralisação na operação da transportadora nacional e na circulação dos passageiros durante os próximos meses.