
O Petro de Luanda voltou a mexer no comando técnico da equipa principal de futebol, ao afastar João Pedro Sousa, contratado em Maio, e anunciar o regresso de Alexandre Santos, numa mudança que acontece numa fase delicada da temporada, marcada pela pressão dos resultados e pela obrigação de corresponder às ambições desportivas do clube.
O afastamento de João Pedro Sousa foi anunciado esta terça-feira, 20, através das páginas oficiais do Petro nas redes sociais, sem que a direcção tenha apresentado publicamente os motivos da decisão.
Ricardo Costa, director de comunicação do clube, informou que deverá ser divulgado posteriormente um comunicado com os esclarecimentos sobre a saída do treinador.
A decisão surge depois da derrota por 0-2 diante do Scotland FC, do Zimbabwe, no domingo, na primeira mão da última eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos.
O resultado deixou o Petro obrigado a procurar uma resposta convincente na segunda mão, marcada para sexta-feira, no Estádio 11 de Novembro, em Luanda.
Contratado a 11 de Maio, João Pedro Sousa orientou os tricolores em nove partidas, com um registo de cinco vitórias, três empates e uma derrota.
Apesar de o balanço global não se resumir ao último resultado, a saída do técnico levanta questões sobre a avaliação feita pela direcção e sobre os critérios que sustentaram a decisão, sobretudo numa fase em que a equipa continua envolvida em duas competições importantes.
A ausência de uma explicação pública imediata também deixa em aberto se o afastamento resultou exclusivamente do desaire continental ou de outros factores relacionados com o desempenho da equipa, a gestão do grupo ou as expectativas estabelecidas no início da época.
Para ocupar o lugar deixado vago, o Petro escolheu Alexandre Santos, de 49 anos, que regressa ao Eixo Viário depois de ter orientado o clube até ao final da temporada 2023/2024.
Na sua primeira passagem, o treinador português conquistou três títulos do Girabola, três Taças de Angola e uma Supertaça, além de conduzir a equipa às meias-finais da Liga dos Campeões Africanos, nas quais foi eliminada pelo Wydad de Casablanca.
O currículo do técnico constitui um trunfo para a direcção, mas o seu regresso não elimina os desafios imediatos. Alexandre Santos terá de recuperar a confiança da equipa, responder à pressão competitiva e tentar inverter a desvantagem de dois golos frente ao Scotland FC, num encontro em que a margem de erro é reduzida.
No campeonato nacional, o Petro soma 14 pontos, numa classificação em que o Wiliete de Benguela lidera com 16, segundo os dados fornecidos pelo clube e pela informação disponível sobre a competição.
A luta pelo título continua em aberto, mas a sucessão no comando técnico acrescenta uma nova variável à preparação da equipa.
O Petro estabeleceu como objectivo principal na presente temporada alcançar os quartos-de-final da Liga dos Campeões Africanos.
A meta exige estabilidade, planeamento e capacidade de resposta em momentos de pressão, factores que tornam a mudança de treinador, a poucos dias de um compromisso decisivo, uma aposta de risco.