Corpo do “decano” dos jornalistas, Siona Casimiro já repousa no Cemitério do Benfica
Corpo do "decano" dos jornalistas, Siona Casimiro já repousa no Cemitério do Benfica
Siona

O jornalista Siona Bole Casimiro Watulanta “Siona Casimiro”, falecido no dia 09 de Fevereiro em França, aos 78 anos, por doença, foi na tarde a enterrar no cemitério do Benfica, em Luanda. Jornalistas e políticos renderam homenagem ao também chamado “decano” dos jornalistas angolanos.

Várias foram as personalidades do jornalismo e da política que estiveram presentes no cemitério do Benfica para o último adeus ao jornalista Siona Casimiro, que também era tratado pela classe como “tio Sona”.

A urna com os restos mortais do jornalista partiu da sua residência, no bairro Lar do Patriota, para a Igreja Católica (no centro Santa Teresinha), onde decorreu o velório, sendo feitas as homenagens por parte dos familiares, jornalistas, gestores de instituições públicas e privadas, políticos, sociedade civil, amigos de trajectória e vizinhos.

Ao som dos cânticos do grupo “Legião de Maria”, de que fazia parte o jornalista, a urna seguiu depois para o cemitério do Benfica, onde o “tio Sona” foi sepultado.

Choros, lamentações e elogios fizeram parte do momento que o Novo Jornal vivenciou esta tarde no cemitério do Benfica no adeus a Siona Casimiro, o primeiro angolano a ser portador de uma carteira profissional de jornalista.

Teixeira Cândido, secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), considerou que Siona Casimiro foi um pilar para os jornalistas e o jornalismo.

“Siona Casimiro faz parte do grupo de jornalistas que sacrificou carreira e privilégios em nome da liberdade de imprensa e de um jornalismo independente”, disse o líder do SJA.

Segundo Teixeira Cândido, o jornalista Siona Casimiro deixa à classe jornalística o legado de uma defesa incondicional da liberdade de imprensa, sob pena de não existir jornalismo.

“Para a classe jornalística, Siona Casimiro não partiu. Continuará connosco, e os seus ensinamentos ficarão também”, considerou o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, na hora do adeus.

A Comissão de Carteira e Ética (CCE), entidade responsável pela emissão da carteira profissional de Jornalista em Angola, considerou que o “tio Sona” fez muito pelo jornalismo angolano e realçou que não é à toa que era portador da primeira carteira profissional de jornalista (a carteira número 1).

“Foi um grande defensor do jornalismo responsável. Formou e ensinou muitos jornalistas em Angola”, considerou a CCE.

O jornalista Reginaldo Silva, amigo do “decano”, realçou a dimensão de Siona Casimiro e salientou que foi um grande activista da liberdade de imprensa.

Conforme Reginaldo Silva, Siona Casimiro serviu o jornalismo angolano de corpo e alma, antes e depois da independência de Angola.

“Fruto de um percurso de muitos anos, Siona Casimiro deixou um grande livro sobre o jornalismo. “Maquis e Arredores – Memórias do jornalismo que acompanhou a luta de libertação nacional”, foi o título do seu primeiro livro”, lembrou Reginaldo Silva, acrescentado que “Siona Casimiro foi um dos melhores activos do jornalismo angolano”.

O Misa-Angola considerou que não é à toa que os jornalistas angolanos consideram Siona Casimiro como o “decano” do jornalismo em Angola.

“Siona Casimiro foi um arquivo vivo”, considerou o Misa-Angola, realçando que do continente africano várias são as mensagens de condolências que chegam à organização.

“Siona Casimiro foi uma grande figura do jornalismo angolano de muitas gerações. Foi uma grande referência e reserva moral. Por isso era o decano dos jornalistas angolanos”, considerou Luísa Rogério, presidente da CCE.

Manuel da Conceição, jornalista da TPA, disse que Siona Casimiro foi um mestre que se entregou de corpo e alma ao jornalismo responsável e de qualidade no País e no estrangeiro.

“Conheci Siona Casimiro em 1983, foi ele que me ensinou a trabalhar no “telex” e muito me ensinou sobre o jornalismo”, disse o Jornalista da TPA.

Albino Carlos, ex-porta-voz do MPLA, disse ao Novo Jornal que “é com muito tristeza” que os angolanos veem partir o “decano” do jornalismo.

“Siona Casimiro foi um obreiro e deixou um grande legado que poderá servir de referência aos jovens jornalistas angolanos”, disse.

Dionísio de Almeida, comentarista desportivo da Rádio Cinco, contou que o jornalista foi um grande combatente da liberdade de imprensa e que esteve sempre presente na criação das instituições de jornalismo.

O presidente do Bloco Democrático (BD), Filomeno Vieira Lopes, disse que Siona Casimiro foi um jornalista muito competente e grande defensor do jornalismo justo.

O académico Arlindo Isabel realçou que o “decano” dos jornalistas compreendia o real papel da humanidade e exercia com rigor e profissionalismo o seu papel.

“Foi um exemplo de trabalhador responsável. Siona Casimiro foi um verdadeiro agente da felicidade e um herói da classe jornalística em Angola”, considerou o também porta-voz da Universidade Agostinho Neto.

Mfuca Muzemba, líder da comissão instaladora do projecto político ” Esperança”, afirmou que com a partida do “tio Siona” a classe dos jornalistas fica mais pobre.

Segundo Mfuca Muzemba, é o jornalismo angolano e são os jornalistas que perdem uma grande biblioteca.

Siona Casimiro nasceu a 12 de Maio de 1944, em Matadi, na República Democrática do Congo.

Diplomado pelo Centro de Formação Profissional de Jornalistas (CFPJ) de Paris, recebeu a carteira profissional pela primeira vez em 1969, após estagiar na Agência Congolaise de Presse (ACP).

Trabalhou na Angop, na PANA e na Associated Press. Foi chefe de Redacção do Jornal Apostolado, membro do conselho editorial da Rádio Eclésia, membro fundador do Sindicato dos Jornalistas Angolanos e do MISA-Angola.

in Novo Jornal

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