
A Direcção Política da Frente de Libertação do Estado de Cabinda, FLEC-FAC, legítimo representante do Povo de Cabinda, ocorre à seguinte reflexão:
Desde o princípio da década 60 século XX, que a ONU e a OUA e Portugal, estabeleceram a existência do paradigma político, socio-cultural do povo de Cabinda, à semelhança do que aconteceu com as demais colónias europeias em África.
A luta do Povo de Cabinda peca, pelo facto de não ter sido violenta, como as que ocorreram da responsabilidade das organizações angolanas, em que, camponeses e comerciantes, não eram poupados da carnificina libertadora.
Nos anais da história da luta anticolonial, Portugal tem registos do papel do Povo de Cabinda contra as poucas investidas terroristas da UPA, as populações no território de Cabinda ao ditarem:
Portugal parceiro político do povo de Cabinda, não obstante haver forte influência da “esquerda” no MFA depois de 25 de Abril de 1974, foi o pior exemplo da Europa Colonial que, ao invés de descolonizar, fez uma vergonhosa transferência do poder político administrativo ao seu predilecto MPLA, concedendo-lhe todas as facilidades de uma ocupação heróica e generosa num território onde por força do “golpe militar local” as FAP, tornaram-se em força particular de Rosa Coutinho, Pazzarat Correia e Melo Antunes.
A Comunidade Internacional nunca tornou público o “Acordo” havido entre ela e Portugal para que o MPLA, enquanto organização político-militar, tomasse Cabinda com apoio dos militares portugueses.
Os exercícios políticos subsequentes à ocupação, ao longo de um ano, visaram apenas para branquear a imoralidade dos autores da hedionda acção, que não se pode comparar com a perpectuada pela Indonésia no Timor Leste.
Ao Povo de Cabinda, era dito que, a presença do MPLA e das FAPLA, visava impedir a invasão das forças zairenses, longe de se saber que as FAPs, só em Cabinda é que já não podiam defender, mas em Angola sim!
Vale-nos a luta armada, embora intermitente, mas selou pela causa e, hoje o mundo sabe que, qualquer passo a ser dado politicamente, deverá ser antecedido por um cessar-fogo, entre as FAA e as FAC.
São decorridos 50 anos. A nossa luta encerrou o último quartel do século XX e agora ao primeiro do século XXI.
Não exigimos tanto, apenas o diálogo e o fim do conflito, para a paz e justiça que Cabinda merece, pois a vida vale mais mais que o petróleo.
CABINDA, 11 DE MARÇO DE 2023.
A DIRECÇÃO POLÍTICA
Emmanuel Nzita
Pdte FLEC-FAC