Ministério da Educação oferece contrato de 15 biliões de kwanzas ao sobrinho do Presidente da República – Tribunal de Contas ‘mixou’ 50 milhões de kwanzas
Ministério da Educação oferece contrato de 15 biliões de kwanzas ao sobrinho do Presidente da República - Tribunal de Contas 'mixou' 50 milhões de kwanzas
Jlooo

Yuri Lourenço, um destacado sobrinho do Presidente da República, está a ser identificado em meios empresariais em Luanda, como um dos beneficiários final de um contrato de 15 bilões de kwanzas para distribuição de carteiras escolares em 16 províncias do país.

Yuri Lourenço é o jovem que dá o rosto pela “Barima – Comercio Geral, prestação de serviços, Importação e exportações”, a empresa angolana que recebeu – sem concurso público – o contrato pelas mãos do Ministério da Educação para o fornecimento das carteiras escolares.

Desconhecida do grande público, a empresa “Barima” foi constituída em Julho de 2005, por uma cidadã nacional Rita Pascoal Loura da Silva.

Segundo o Club-K, para além do tráfico de influência existente, a contestação a que o assunto é remetido tem como base as advertências de o fornecimento das carteiras escolares deveriam ser de fabrico nacional e não importadas, como ocorreu. O contrato foi validado pelo Tribunal de Contas que terá ficado com 50 milhões de kwanzas de emolumentos.

Agora citado como empresário, Yuri Lourenço cresceu em casa da falecida mãe do Chefe de Estado, no bairro Vila Alice, em Luanda. Na fase adulta, passou a ter o apoio de um tio general Serqueira João Lourenço, que detém a companhia aérea nacional SJL Aeronáutica.

O surgimento de relatos dando conta do envolvimento de membros da família de João Lourenço nos negócios privados com o Estado, tem gerado preocupação e receios de que o assunto seja aproveitado pelos partidos da oposição.

Em Novembro do ano 2021, num encontro com a juventude, o Presidente da República revelou que antes de exercer o cargo que ocupa exercia actividades latifundiárias do país, tendo adiantando que fez a sua declaração de bens que se encontra selada na Procuradoria Geral da República (PGR).

João Lourenço é proprietário de cerca de cinco fazendas em Angola, embora nunca tenha divulgado publicamente a sua declaração de bens de modo a facilitar a compreensão da origem da sua riqueza.

A “Fazenda Matogrosso” é descrita como um dos empreendimentos mais sofisticados do património de João Lourenço, por nela acolher casas de laser de madeira, um aeródromo, e por produzir enormes quantidades de milho e batatas que tem como um dos clientes as Forças Armadas Angolanas.

Antes de concorrer as eleições gerais de 2017, transferiu a titularidade de alguns dos seus bens para quatro membros da Primeira-Dama, nomeadamente: Jeredh Ben Amin Santos, Inokcelina Ben África Correia dos Santos, Katilo Emanuel Correia dos Santos e Henda Liberta Correia dos Santos Ceita.

A empresa “JALC – Consultores e Prestação de Serviços, Limitada”, ligada a família Lourenço, é identificada no relatório de gestão de 2018 da imobiliária Imogestin, como integrante da sua estrutura accionista, detendo uma participação de 15%.

A “JALC”, que tem as inicias das filhas do casal presidencial, realizou uma assembleia de membros em que destituiu Custodia da Encarnação Dias dos Santos como gerente da sociedade e em seu lugar foi colocada Cristina Lourenço.

Para além da Imogestin, a “JALC” faz também parte da estrutura accionista da “Companhia de Cervejas de Angola S.A”, cuja fábrica foi construída na província do Bengo.

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