Griner (empresa do banco BAI) sem dinheiro para Aterro Sanitário dos Mulenvos
Griner (empresa do banco BAI) sem dinheiro para Aterro Sanitário dos Mulenvos
Griner

Um ano e meio depois de ter vencido o concurso público para a requalificação e gestão do Aterro Sanitário dos Mulenvos, a construtora Griner continua sem dinheiro para arrancar com o projecto que estava previsto ser a primeira Parceria Público-Privada do país, noticiou o semanário Expansão.

Em Fevereiro deste ano a construtora já tinha revelado que lhe faltavam quase 100 milhões de dólares norte-americanos para dar início ao projecto.

No ano passado, a empresa que é detida em 100 por cento pelo Banco Angolano de Investimentos (BAI) movimentou-se no sentido de apurar se no país haveriam potenciais interessados numa emissão obrigacionista. A ideia passava por emitir em Novembro obrigações no valor global de 15 mil milhões Kz (equivalentes a 29,5 milhões de dólares à taxa de câmbio da altura), com taxas de juro de 16,5% com uma maturidade de três anos.

Tratar-se-ia de uma emissão fechada apenas a grandes investidores, mas “nenhum desses investidores mostrou interesse” em comprar qualquer uma das 60 mil obrigações com valor nominal de 250 mil kwanzas.

De acordo com a ficha técnica, só após a demonstração de interesse por parte de grandes investidores é que a construtora levaria o processo à Comissão de Mercado de Capitais (CMC).

Curiosamente, estes quase 30 milhões de dólares é o valor que a empresa precisava de apresentar no concurso público como capital próprio para avançar com o projecto de requalificação e gestão do aterro de Mulenvos.

Apesar de o caderno de encargos ter estipulado 20 milhões de dólares de capital próprio, a construtora entendeu que eram necessários mais, segundo avançou com Yuri Almeida um dos responsáveis pela PPP da parte da Griner, em declarações ao Expansão em Fevereiro deste ano. Ainda assim, o responsável garantiu que o capital próprio já estava salvaguardado, sem avançar como.

Quanto aos restantes 67 milhões de dólares necessários para arrancar em definitivo com o projecto Mulenvos, estava previsto virem de financiamento externo, o que é difícil uma vez que o rating da República de Angola é considerado lixo pelas principais agências de notação financeira.

Contas feitas, a Griner precisa assim perto de 100 milhões de dólares para aplicar no aterro, um valor superior aos 75 milhões de dólares que o Governo tinha previsto quando lançou o concurso público que visava dar um novo fôlego ao único aterro sanitário de Luanda, que é actualmente um gigante depósito de lixo gerido pela Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (ELISAL).

Ainda em Fevereiro, o responsável da Griner explicou que o caderno de encargos do concurso tinha projectado erradamente o valor para os custos de implementação do projecto que visa a valorização de resíduos sólidos recolhidos por Estado e privados.

Contudo, o certo é que passados um ano e meio depois do anúncio do vencedor do concurso, a Griner continua sem arrancar com as obras do primeiro contrato em regime PPP do país.

in Expansão

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