Adalberto Costa Júnior reitera pedido de “desculpas públicas” às famílias de vítimas mortais nas áreas da UNITA
Adalberto Costa Júnior reitera pedido de "desculpas públicas" às famílias de vítimas mortais nas áreas da UNITA
ACJ 20

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, apresentou esta terça-feira, 5 de Setembro, em Luanda, mais uma vez, um pedido de desculpas públicas as famílias angolanas, e não só, que perderam os seus parentes nas zonas anteriormente controladas pelas suas forças política e militares.

“Hoje, aqui e agora, em nome da UNITA, venho humildemente dirigir, mais uma vez, às vitimas dos conflitos, ao heroico povo angolano, a Deus, um pedido sincero de desculpas pela nossa parte”, disse o líder da UNITA durante a conferência de imprensa realizada hoje.

“Nunca é demais dizer que a UNITA assumiu as suas responsabilidades perante a história, na XVI Conferência Anual do Partido, em Abril de 2001, o presidente fundador da UNITA, Dr. Jonas Malheiro Savimbi, pediu desculpas públicas e perdão por todos os erros, que constituem o passivo da nossa organização política, consubstanciados, entre outros, pelo desaparecimento físico de todas as vítimas do conflito nas áreas da responsabilização da UNITA”, recordou.

Adalberto Costa Júnior frisou ainda que “este espírito de assunção de responsabilidades continuou mesmo após o heroico falecimento do presidente fundador, Dr. Jonas Malheiro Savimbi. O General Lukamba Paulo “Gato”, nas vestes de coordenador da Comissão de Gestão da UNITA, o mais-velho Isaías Henriques Ngola Samakuva, enquanto presidente da UNITA, e o actual presidente, que é a pessoa que vos fala, reiteradas vezes endereçaram ao Povo Angolano pedidos de desculpas por tudo quanto de mal sucedeu ao longo do percurso de luta e resistência da UNITA para a conquista da Democracia, Liberdade em nome Paz duradoura em Angola”.

Outrossim, o político teceu duras criticas a Sub-Comissāo de Segurança, Logística e Infra-estrutura da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), liderada pelo general Fernando Miala que se encontra no Luando, Iocalidade do Tchanji, município do Cuemba, província do Bié, a fazer campanha política com as ossadas de algumas figuras de proa do então braço armado da UNITA, as FALA.

Tal como noticiou o Imparcial Press, recentemente, as autoridades anunciaram ter encontrados, numa vala comum, as supostas ossadas dos generais Armando Júlio (Tarzan), Altino Bango Sapalalo (Bock), Antero Vieira, António Perestelo Moura, bem como de Ana lsabel Paulino Polipossa “Ana Savimbi”, uma das mulheres do antigo líder da UNITA, Jonas Savimbi. Além desses cidadãos, também foram encontradas ossadas de uma menina de 11 a 14 anos, cuja identidade é desconhecida.

O registo desse incidente, em que estão envolvidos altos comandantes das extintas FALA, terá ocorrido na sequência da derrota militar que essa força sofreu, a 25 de Abril do ano de 2000, na cidade do Cuito, província do Bié.

Segundo o presidente da UNITA, o povo angolano está, nos últimos 10 dias, confrontado com imagens divulgadas pela TPA, sobre buscas de sepulturas de angolanos perecidos nos conflitos políticos, em áreas outrora sob administração da UNITA, mas sem o conhecimento prévio das famílias e dos representantes desta formação política na CIVICOP, o que fere a metodologia de trabalho desta instituição, o espirito de reconciliação nacional que regem o seu funcionamento.

De acordo com o presidente da UNITA, a CIVICOP foi projectada pelo Executivo angolano como fórum de consolidação da paz e reconciliação nacional e não como arma de arremesso política.

“É nesta perspectiva que a UNITA rejeita a instrumentalidade que mina os propósitos da CIVICOP e condena o sequestro da TPA pelos serviços de inteligência do regime do MPLA”, acusou, esperando que este órgão trabalhe com transparência e integridade moral.

A UNITA defende, “inequivocamente”, que a CIVICOP retome o seu lugar neste processo, e que tenha apenas um coordenador, o ministro da Justiça e Direitos Humanos, frisando que as decisões devem ser tomadas em reuniões devidamente convocadas pelo órgão.

Nesta conformidade, o presidente da UNITA reiterou a criação de uma comissão da verdade e reconciliação nacional, a semelhança de África do Sul, após apartheid, “para que os angolanos tenham a coragem de abordar, com responsabilidade partilhada, o seu passivo enquanto irmãos da mesma pátria”.

Até lá, “a UNITA condiciona a sua participação na CIVICOP ao retomar dos propósitos da sua criação e ao reabraçar da metodologia aprovada para o seu funcionamento. Paz e reconciliação”, rematou.

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