A economia social e as cidades sustentáveis – Juliana Evangelista Ferraz
A economia social e as cidades sustentáveis - Juliana Evangelista Ferraz
Juliana Ferraz

Os grandes movimentos migratórios intra-territoriais dão-se sobretudo do campo para à cidade, e sendo as áreas urbanas com um nível de complexidade para lidar, diariamente, com os desafios para se obter crescimento e desenvolvimento destas cidades, são confrontadas com o novo fluxo de pessoas que estabelecem nas cidades e geram algumas consequências, como o aumento da capacidade de poluição e ainda a exploração de recursos, que podem impactar nas alterações climáticas.

No quadro das Nações Unidas, na Agenda 2030 sobre Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, o (ODS) 11 faz menção sobre as Cidades e Comunidades Sustentáveis, que se traduz no desenvolvimento e no alcance de tornar as cidades e comunidades humanas inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.

Assim, os pressupostos da transição para uma economia verde implicará mudanças nas formas de pensar, planear, organizar e viver não só nas cidades, mas sobretudo nas comunidades, assim como a alteração de comportamento de empresas e cidadãos, que devem estar em linha com os ODS.

Hoje, as cidades são desenhadas de forma a projectar a vida para períodos longínquos, olhando para o planeamento urbano, a habitação, implementação de políticas sociais (economia social e solidária), transportes públicos, a energia, a forma de tratar os resíduos, a manutenção e preservação do património cultural, os espaços verdes e a qualidade da água, ambiente e do ar.

Portanto, a sustentabilidade também passa pelo lado social, e nesta perspectiva, torna-se necessário o aproveitamento das oportunidades de criação de emprego e geração de renda, por via da Economia Social e Solidária (ESS).

Estas variantes económicas podem contribuir para o bom funcionamento da economia e da sociedade, vejamos que nos últimos anos os Estados têm se preocupado com o dilema que enfrentam milhões de pessoas que são excluídas da economia de mercado, enfrentado a falta de emprego e dificuldades de suportar despesas com a educação dos seus filhos, forçados a recorrer à dívida e aos mecanismos informais da economia, e por esse facto inseriram na sua agenda política e económica o tema da economia social e solidária.

Economia solidária é uma maneira de organizar as actividades económicas de produção, distribuição e consumo, por via de um conjunto de actividades de cariz social e económica, geridas por organizações que visam realizar as necessidades que a economia de mercado não consegue satisfazer.

A economia social e a economia solidária visam o comércio justo, a criação de empresas sociais, bancos e finanças éticos, bem como uniões e cooperativas de créditos, e os seus lucros são reinvestidos nas actividades dos seus associados que são os detentores das empresas e que as gerem num modelo de autogestão.

Portanto, criar redes de comércio justo solidário, redes locais e nacionais, ou seja, produzir e consumir localmente e ter estes circuitos de cadeias de abastecimento sobre o nosso controlo e integrar com as redes internacionais.

Existem cerca dois milhões de empresas de economia social na Europa e representam 10% de todos os negócios na União Europeia e mais de 160 milhões de pessoas na Europa são membros de empresas de economia social.

Na zona da África Subsaariana existe cerca de 400.000 organizações sociais e solidárias que servem mais de 50 milhões de membros, sendo que o número estimado de empregos directos criados por empresas sociais varia entre 28 e 41 milhões.

Dados estatísticos indicam que a África do Sul, a ESS é considerada como um empregador maior do que o sector agrícola e de transportes e constitui cerca de 6% dos empregos. Já na Tunísia e em Marrocos a ESS representa cerca de 4% e 5% da população economicamente activa, e existem cerca de 200.000 associações em Marrocos e 24.000 na Tunísia.

Os projectos de negócios sociais e solidários também têm a componente de modelos de negócio sustentáveis, por exemplo, as empresas devem obedecer um processo que passam do modelo económico linear de extração, fabrico, uso e descarte de produtos, que deve dar lugar a um novo modelo que permita a reutilização, a manutenção, a reciclagem, para uma maior durabilidade dos produtos.

Espera-se que com esta abordagem, se possa criar um conjunto de novos empregos naquilo a que se chama economia circular, que dinamizará a economia verde, emprego verde, energia renovável, agricultura sustentável, indústrias de baixa emissão de carbono, e tratamento de resíduos.

Olhando para as estatísticas estima-se a nível mundial que menos de 1% dos resíduos têxtis sejam reciclados e cerca de 85% destes resíduos são postos em aterros sanitários, sendo que na Europa é descartado cerca de dois milhões de toneladas de têxteis por ano, o que denota um longo caminho pela frente, em termos de sustentabilidade ambiental, como por exemplo a remoção nos acabamentos com fibras acrílicas, produtos esses que são prejudiciais ao meio ambiente, e olhando para o modelo circular, estas fibras podem ser recicladas e reaproveitadas para a produção de novos produtos.

*Economista

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