A farra no óbito – Alcibíades Kopumi
A farra no óbito - Alcibíades Kopumi
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Há dois anos, no dia 8 de maio, data do falecimento em 2021 do deputado Raúl Manuel Danda, foi instituído pelo Grupo Parlamentar da UNITA – GPU como sendo “o Dia do Deputado”, em memória do malogrado ex-Vice-presidente da UNITA e também ex-Presidente do seu grupo parlamentar.

A iniciativa de honrar o ilustre Dr. Raúl Danda com o merecido destaque é de aplaudir. Todavia, o facto da supramencionada efeméride ter sido instituída pelo GPU, um órgão executivo, levanta a pertinente questão sobre a legitimidade deste, por ser incompetente em matéria de tomada de decisões de natureza política.

Tais decisões, para casos como estes, são reservadas, de forma exclusiva e absoluta, aos órgãos deliberativos da UNITA, nomeadamente o Congresso, a Comissão Política e o seu Comité Permanente.

Pela dimensão e pelos feitos do deputado Raúl Danda, tenho a plena certeza de que a iniciativa de homenageá-lo teria sido adotada por unanimidade pelos órgãos de direção superior acima citados.

Estamos, pois, diante de um claro extravasamento de competências do GPU, numa clara violação das normas estatutárias.

Por outro lado, a forma como o “Dia do Deputado” tem vindo a ser assinalado levanta igualmente importantes questões de ordem ética. Nas culturas bantu, no geral, e também na cultura política da UNITA, não se comemora a morte.

As datas que marcam o falecimento de um destacado dirigente, como por exemplo o dia 22 de fevereiro, data em que tombou em combate o Presidente-fundador da UNITA, o Dr. Jonas Malheiro Savimbi, geralmente são celebradas como datas de reflexão, ao passo que o dia 3 de agosto, sua data natalícia, é comemorada.

Além disso, lembrando que a UNITA tem na submissão da política à ética um dos seus Valores Políticos, não passa por um simples pormenor irrelevante o facto de, desde a sua primeira edição, ter havido um descarado e ostensivo oportunismo de acoplar, nos atos alusivos “ao Dia do Deputado”, o aniversário de Adalberto Costa Júnior, atual Presidente da UNITA.

É certo que, como qualquer um, o cidadão Adalberto Costa Júnior tem o direito de comemorar o seu aniversário, mas em eventos particulares.

O que vimos nas duas primeiras edições “do Dia do Deputado”, promovidas pelo GPU, é que aqueles atos que deveriam ter sido marcados pelo recolhimento e pela reflexão, próprios de uma celebração, a dado momento se transformaram em comemorações do aniversário de ACJ, autênticas festanças com farras e direito a comes e bebes, tudo custeado com dinheiros do Partido!

O endosso, ano após ano, do aniversário de ACJ às celebrações do “Dia do Deputado” suscita razoáveis e legítimas dúvidas sobre quais foram os verdadeiros propósitos do estabelecimento dessa efeméride, se foram mesmo os de imortalizar Raúl Danda, ou então, foi a infame intenção de se tirar proveito de um infortúnio para se garantir “farras de arromba” a custo zero.

Espero que desta vez, no Huambo, ganhem uma nesga de vergonha e não nos brindem, mais uma vez, com o já habitual insulto de fazerem farras num óbito. Haja uma nítida separação do interesse coletivo do particular.

Quem quiser fazer a sua festa pague do seu próprio bolso.

Haja ética, meus Senhores!

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