
O director do Gabinete Provincial de Saúde de Luanda, Manuel Varela, alertou na sexta-feira, que Angola continua entre os países com maiores taxas de gravidez na adolescência a nível mundial.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em cada mil gravidezes registadas no país, 112 ocorrem em adolescentes entre os 15 e os 19 anos, número que coloca Angola acima da média da África Subsariana.
Ao intervir na abertura do primeiro workshop do Hospital Geral Especializado do Kilamba Kiaxi, sob o tema “Impacto da Gravidez na Adolescência: Uma Visão Multidisciplinar”, Manuel Varela sublinhou que o fenómeno representa uma séria preocupação de saúde pública, com efeitos diretos no abandono escolar, pobreza, violência e exclusão social.
De acordo com o responsável, a persistência de taxas elevadas está associada à falta de acesso à educação sexual e aos serviços de saúde, fatores que têm sido alvo de campanhas governamentais e políticas públicas de prevenção.
“Esta realidade remete-nos a uma reflexão profunda sobre o presente e o futuro das nossas comunidades. Sendo Angola uma Nação jovem, destemida e comprometida com o desenvolvimento, devemos reforçar a prevenção para reduzir o impacto de fenómenos sociais como a gravidez precoce”, frisou.
Manuel Varela chamou ainda atenção para os efeitos da nova divisão político-administrativa, que reduziu o número de unidades sanitárias em Luanda de 183 para 108, incluindo dois hospitais gerais, três hospitais gerais especializados, sete hospitais municipais, 71 centros de saúde e 25 postos de saúde.
Segundo destacou, este novo quadro lança “enormes desafios” para o sector, que, pela Constituição, deve garantir a saúde como um direito fundamental dos cidadãos.
Hospital do Kilamba Kiaxi
A directora-geral do Hospital Geral Especializado do Kilamba Kiaxi, Nazaré Jerónimo, revelou que entre junho de 2024 e junho de 2025 foram registadas 1.800 adolescentes grávidas, com uma média de 12 novos casos por dia.
Para reduzir constrangimentos, a unidade hospitalar tem disponibilizado consultas diferenciadas no período da tarde, destinadas exclusivamente às adolescentes.
“É uma faixa etária frequentemente discriminada e desamparada pelas próprias famílias. Apelamos aos pais para dialogarem de forma precoce, sem tabus, ultrapassando as dificuldades de abordar temas ligados à sexualidade e ao planeamento familiar”, sublinhou Nazaré Jerónimo.
O encontro debateu temas como o perfil das adolescentes grávidas atendidas no hospital, riscos obstétricos associados, estratégias de prevenção, educação sexual e cuidados neonatais no caso de mães adolescentes.
A actividade contou com a presença de diretores de hospitais da província de Luanda, responsáveis municipais da saúde, adolescentes grávidas e outras entidades do sector.