
Angola registou 6.055 acidentes de viação no primeiro semestre de 2025, resultando em 1.482 mortes e 8.582 feridos, informou esta quinta-feira (4) o director nacional de Trânsito Rodoviário, Abel Sebastião.
Comparativamente ao período homólogo de 2024, os números representam uma redução de 143 acidentes e 117 mortes, mas um ligeiro aumento de 31 feridos.
A faixa etária mais afectada situa-se entre os 36 e 45 anos, com predominância do sexo masculino. Segundo os dados, peões e passageiros representam 57% das vítimas mortais e 52% dos feridos.
Os principais tipos de ocorrência continuam a ser atropelamentos, colisões entre automóveis, despistes seguidos de capotamentos e acidentes envolvendo motociclos.
Luanda lidera a lista de províncias com maior índice de sinistralidade, com 1.127 acidentes, seguida da Huíla (565), Huambo (484), Uíge (395), Benguela (351) e Zaire (350). As províncias do Cuando Cubango, Moxico e Cunene registaram os menores índices.
Abel Sebastião destacou ainda um aumento de acidentes de grande dimensão em províncias como a Huíla, Huambo, Bengo e Cuanza Sul.
Durante a 2.ª reunião extraordinária do Conselho Nacional de Viação e Ordenamento do Trânsito (CNVOT), orientada pela vice-Presidente da República, Esperança da Costa, foi apresentado o relatório de execução do Plano Nacional de Prevenção e Segurança Rodoviária 2023-2027, que atingiu 40% de execução no primeiro semestre de 2025, um crescimento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Foram também discutidas questões relacionadas com iluminação pública, sinalização rodoviária e a necessidade de meios aéreos (helicópteros e aviões) para evacuação rápida de vítimas graves em zonas remotas.
O ministro do Interior, Manuel Homem, anunciou o lançamento do programa “Estradas Sem Mortes”, que visa reduzir em 20% o número de acidentes com vítimas mortais e feridos.
O programa prevê o aumento de até 70% na fiscalização e penalização de infrações ao Código de Estrada, maior controlo de acidentes em áreas urbanas e campanhas de sensibilização e educação rodoviária dirigidas a condutores e peões.
Já o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, confirmou que está em análise a obrigatoriedade da instalação de tacógrafos em veículos de transporte de passageiros e mercadorias.
O equipamento permitirá controlar a velocidade, a distância percorrida e os tempos de condução, prevenindo a exploração laboral de motoristas e reduzindo os riscos de acidentes.
“O tacógrafo vai garantir pausas obrigatórias para descanso dos motoristas, evitando o uso excessivo dos veículos e aumentando a segurança rodoviária”, sublinhou o governante.
O CNVOT, criado pelo Decreto Presidencial n.º 18/13, de 15 de Abril, é o órgão de consulta do Titular do Poder Executivo em matérias de trânsito e ordenamento viário, cabendo-lhe propor políticas e medidas para reduzir a sinistralidade no país.