
O governador da província do Namibe, Augusto Archer de Sousa Mangueira, tem manifestado, em círculos restritos, a intenção de solicitar ao Presidente da República a sua exoneração, alegando motivos de saúde que o impedem de continuar a exercer plenamente as funções governativas.
No cargo desde 2019, Archer Mangueira pretende afastar-se da vida política activa e estabelecer-se temporariamente no Reino de Espanha, onde deverá prosseguir tratamentos oftalmológicos contra o glaucoma, doença que pode causar perda progressiva da visão caso não seja acompanhada de forma contínua.
Segundo o Club-K, o governante já havia sido submetido, em Março de 2021, a uma intervenção cirúrgica num dos olhos em Espanha.
Contudo, o quadro clínico terá agravado nos últimos meses, tornando necessária a deslocação frequente ao exterior e um acompanhamento especializado prolongado, incompatível com a liderança do governo provincial.
As dificuldades de visão e a possibilidade de permanecer fora do país por um período indeterminado terão levado Archer Mangueira a equacionar a renúncia ao cargo, decisão que deverá comunicar ao Chefe de Estado nas próximas semanas.
Economista formado em Berlim e especializado em macroeconomia em Madrid, Archer Mangueira construiu uma carreira marcada pelo exercício de funções de alto relevo no aparelho do Estado.
Iniciou o percurso como adido comercial na Embaixada de Angola em Espanha, integrou o Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério das Finanças, presidiu à Comissão do Mercado de Capitais (CMC) e lecionou na Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto.
Em 2015, foi nomeado ministro das Finanças, cargo que exerceu até 2019, ano em que passou a chefiar o Governo Provincial do Namibe, posição que ocupa até ao presente.