
O Consulado-Geral de Angola em Berlim, na Alemanha, está a ser alvo de críticas por parte de cidadãos angolanos residentes naquele país, que denunciam atrasos superiores a seis meses na emissão de bilhetes de identidade e a suspensão da emissão de passaportes há vários anos, situação que, segundo afirmam, tem dificultado a regularização da permanência junto das autoridades alemãs.
Numa exposição dirigida à embaixadora extraordinária e plenipotenciária de Angola na Alemanha, Maria Isabel Gomes de Resende Encoge, a que o Imparcial Press teve acesso, os reclamantes questionam o motivo pelo qual os equipamentos utilizados para a emissão dos documentos permanecem inoperacionais há vários meses, exigindo uma solução urgente.
“É inaceitável e incompreensível que um Estado com os recursos naturais de Angola permita que um simples equipamento permaneça sem reparação durante quatro a seis meses”, refere a carta, na qual os cidadãos apelam para que sejam tratados “com respeito e seriedade”.
Os signatários sustentam que a paralisação dos serviços consulares tem impedido dezenas de angolanos de renovar documentos essenciais, comprometendo processos de residência, emprego e outras formalidades administrativas na Alemanha.
Além da reposição dos equipamentos, os cidadãos solicitam ao Consulado a emissão de uma declaração oficial, com timbre e carimbo da República de Angola, que possa ser apresentada às autoridades de imigração alemãs como prova de identidade e da impossibilidade temporária de obtenção do bilhete de identidade ou do passaporte.
Segundo os reclamantes, esse documento permitiria minimizar os constrangimentos enfrentados por muitos angolanos que aguardam há meses pela emissão dos seus documentos de identificação.
Na exposição, os cidadãos afirmam ainda que a situação “tem gerado crescente indignação” entre a comunidade angolana residente na Alemanha, considerando que os serviços consulares em Berlim atravessam um dos períodos de maior degradação no atendimento.
As reclamações apontam que a emissão de bilhetes de identidade está interrompida há mais de seis meses, enquanto a emissão de passaportes enfrenta atrasos que, segundo alguns utentes, se prolongam há vários anos.
Até ao momento, a Embaixada de Angola na República Federal da Alemanha não se pronunciou publicamente sobre as denúncias nem esclareceu as razões da alegada avaria dos equipamentos ou quando os serviços serão normalizados.
Nos últimos anos, os serviços consulares angolanos em vários países têm sido alvo de críticas recorrentes devido à demora na emissão de documentos de identificação, dificuldades técnicas e limitações no atendimento ao público.
As queixas são mais frequentes em representações diplomáticas com elevada concentração de cidadãos angolanos, onde atrasos na emissão de passaportes e bilhetes de identidade têm sido associados a problemas nos sistemas informáticos, indisponibilidade de equipamentos e constrangimentos administrativos.